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Burga renasce das cinzas

Ter, 14/08/2007 - 10:32


O incêndio do dia 15 de Agosto de 2005 ainda se encontra vivo nas memórias dos habitantes da pequena aldeia da Burga, no concelho de Macedo de Cavaleiros.

Passados dois anos, faltaram as forças e os apoios para recuperar tudo aquilo que levou uma vida de trabalho e de sacrifício a construir e ficou destruído em, apenas, algumas horas.
Encravada no sopé da serra de Bornes, esta localidade oferece uma vista panorâmica natural, típica da região transmontana. Os seus habitantes, na sua maioria idosos, dividem o tempo entre a lavoura e a lida da casa, sendo pouco dados ao convívio.
“Antigamente as pessoas reuniam-se para desfolhar o milho e descascar as amêndoas. Agora já somos poucos e cada um está em sua casa”, constata Maria Clementina Ferreira, habitante na aldeia há 72 anos.
Com uma juventude dinâmica, esta idosa não esquece os prejuízos deixados pelas chamas que chegaram a pôr as casas em risco. “Fiquei sem nenhuma oliveira. Colhia 800 quilos de azeitona, que vendia e ainda dava para mim e para a família, e agora não tenho nada. Nós vivemos de pequenas reformas, não nos deram ajudas, onde é que íamos buscar o dinheiro para voltar a plantar?”, questiona-se Maria Clementina.
Nesta situação encontram-se a maioria dos habitantes da Burga, que viram dizimadas as árvores de fruto que contribuíam para reforçar o orçamento familiar.
“O incêndio estragou-me tudo, desde as oliveiras ao souto. Se não eram os bombeiros ardiam as casas todas”, recorda, com mágoa, Francisco Costa, outro residente.
As chamas chegaram mesmo a dizimar uma casa, que, passados dois anos, já se encontra reconstruída, graças aos apoios concedidos pela Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros.

A beleza das paisagens poderá contribuir para a revitalização da aldeia através do turismo

Como a vida não pára, quem mora nesta localidade agarra-se ao património que embeleza a aldeia, como é o caso da igreja matriz e das fontes seculares.
Separada por uma ribeira, que é atravessada com o recurso a duas pontes, a Burga ganha vida no mês de Agosto, altura em que aqueles que partiram da sua terra natal, em busca de uma vida melhor, regressam para matar saudades.
Mesmo assim, quem aqui vive recorda os tempos em que a aldeia tinha mais vida. “Antigamente havia muita gente e conviviam uns com os outros. Agora quase não se vê ninguém. A escola fechou, porque não havia crianças e o único aluno de cá vai todos os dias para Bornes”, afirma Maria Clementina.
No que toca a investimentos, o presidente da Junta de Freguesia da Burga, Maurício Correia, não esconde que têm sido poucos, até porque a aldeia também é pequena.
Mesmo assim, o autarca realça que está previsto o arranjo do cemitério e a colocação de barreiras ao longo da estrada que dá ligação à EN 102. Além disso, realça que também faz falta construir uma casa mortuária, visto que, actualmente, as pessoas falecidas são veladas na sede da Junta de Freguesia.
Na óptica de Maurício Correia, a aposta no turismo poderá ser uma forma de revitalizar a aldeia, rica em paisagens naturais. “Vamos ver se conseguimos transformar a antiga escola primária num posto turístico”, concluiu o autarca.