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Bem Perto do Céu

Ter, 03/07/2007 - 11:28


Foi lançado, no passado sábado, no Centro Cultural de Bragança o livro “Bem Perto do Céu – A Novena-Retiro da Senhora da Serra” da autoria de Luís Vale. O culto da Nossa Senhora da Serra (Nogueira) é a grande temática da obra, que visa sistematizar esta prática. Trata-se de um trabalho de investigação inédito pois, até à data, não havia registos sobre o maior culto popular da região do Nordeste Transmontano. “A linguagem utilizada ultrapassa o âmbito estritamente académico a partir do momento em que as Juntas de Freguesia e Confraria se interligam ao estudo, pois trata-se de um objecto que interessa a toda a comunidade”, explica o investigador.

Entre 2002 e 2004, Luís Vale percorreu toda a Serra da Nogueira para compreender as relações que as gentes mantêm com o espaço. “Fiz a novena em 2003, falei com as pessoas e analisei as condições que a que se sujeitavam durante os nove dias”, relembra Luís Vale.
O sub-título da obra (“A Novena – Retiro da Senhora da Serra”) invoca a Novena enquanto culto, espaço de repouso e, por último, um local onde se estabelecem relações de reciprocidade entre o ser divino e o ser humano.
Neste livro, damo-nos conta do monte imponente e abrangente em termos visuais, onde o sagrado e o profano se misturam com subtileza, numa divisão inconsciente do espaço.
Como refere Luís Vale, na introdução ao livro, o trabalho divide-se em quatro grandes momentos: 1.º - aproximação aos lugares e objecto de estudo, para contextualizar espacial e temporalmente o culto; 2.º - caracterização do culto mariano e diferentes manifestações; 3.º - Caracterização da Novena, através de relatos de informantes e romeiros e 4.º - outros cultos que se distanciam do culto religioso, mas que acabam por partilhar consigo o espaço e a adesão dos indivíduos.

Antropólogo descreve, minuciosamente, a agitação da feira, a quente e animada vida na taberna

Neste último ponto, o antropólogo descreve, minuciosamente, a agitação da feira, a quente e animada vida na taberna, que vai desde a “volúpia lúdica à orgia dos consumos festivos”, o consumo da carne de vitela como fonte de satisfação / prazer dos visitantes e, finalmente, o jogo lícito e ilícito. Quem não ouviu já falar da batota, um jogo mítico que coloca em azáfama as pessoas, bem no coração da serra.
O livro está repleto de testemunhos intemporais, de observações perspicazes e objectivas. Mas, acima de tudo, é um trabalho de campo, de tentativa de conhecimento do culto com um distanciamento notável, não obstante as raízes serranas do autor.
No estudo estão, ainda, patentes fotografias de Maria Adelina sobre a Senhora da Serra, complementando, assim, o olhar e sabedoria do investigador.