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Barragem do Tua divide autarcas

Ter, 09/10/2007 - 10:36


A construção da barragem da Foz do Tua, incluída no Plano Nacional de Barragens apresentado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, divide os autarcas dos concelhos que serão afectados pela albufeira.

Para o presidente da Câmara Municipal de Mirandela (CMM), José Silvano, a construção da barragem do Tua só traz benefícios para o País e nenhum para a região, uma vez que vai submergir a linha do Tua, encerrando definitivamente a ligação ferroviária entre o interior e litoral.
Já o espelho de água que irá surgir não poderá ser aproveitado para fins turísticos. Tendo em conta que o paredão da barragem vai nascer a dois quilómetros da foz do Tua, o rio não ficará navegável. “Pensava-se que o espelho de água traria vantagens para o turismo, mas não será assim, pois os barcos que andam no rio Douro não podem passar para o Tua”, lamentou o autarca. Os acessos para o vale do Tua também ficam condicionados com o desaparecimento da linha ferroviária. “As populações não podem aceder ao local, pois só através de comboio é que era possível”, acrescentou o edil.
José Silvano defende que a construção da barragem só trará alguns benefícios ao concelho, caso o Governo crie um canal de modo a possibilitar a passagem de barcos do rio Douro até à albufeira. Deste modo, o transporte ferroviário seria substituído pelo fluvial, mas para isso é necessário garantir a construção duma eclusa no paredão da barragem, à semelhança do que acontece nos aproveitamentos existente no rio Douro.

Albufeira da Foz do Tua representa um investimento de 177 milhões de euros e integra o Plano Nacional de Barragens

Para o presidente da Câmara Municipal de Murça, João Teixeira, a construção da barragem do Tua é importante para a economia nacional e regional, podendo “promover o desenvolvimento dos cinco municípios com territórios submersos”.
Na óptica do autarca, também os acessos rodoviários terão que ser melhorados, o que poderá ser uma mais-valia para o turismo.
Contudo, para que estas mudanças sejam encaradas positivamente pelas populações de Murça, João Teixeira reivindica compensações para os agricultores que perderão parte dos seus territórios. “Exijo que sejam indemnizados ao metro quadrado e não ao hectare, pois tratam-se de minifúndios, que são, na maior parte dos casos, o único sustento das famílias”, avisa o edil.
Segundo o responsável, cerca de 50 a 55 por cento das vinhas do concelho de Murça que se inserem na Região Demarcada do douro vão ficar submersas pela albufeira, sendo Sobreira e Porrai as localidades mais afectadas.
João Teixeira defende, ainda, que os agricultores prejudicados pelo novo empreendimento recebam uma percentagem dos lucros resultantes da barragem. “Queremos que uma percentagem, actualizada anualmente, seja distribuída todos os anos pelos municípios abrangidos pela barragem”, acrescenta o autarca.