Ter, 25/09/2007 - 10:29
Este foi um dos temas em debate, no passado sábado, em Vinhais, nas comemorações do X Aniversário da Arbórea – Associação Florestal da Terra Fria Transmontana, que abrange os concelhos de Bragança, Vinhais e Vimioso.
Segundo o presidente da Arbórea, Eduardo Roxo, os baldios continuam a ser motivo de conflito nas freguesias, visto que os técnicos vão para o terreno e deparam-se com a resistência dos compartes. “ Eu penso que as pessoas foram armadas tecnicamente, mas não foram armadas culturalmente e a resistência das populações acaba por alterar os ritmos”, constatou o responsável, acrescentando que os baldios da região “são uma riqueza por descobrir”.
Para contrariar esta tendência foi criada legislação com vista ao aproveitamento da riqueza oferecida pelos baldios. Os Planos de Utilização dos Recursos dos Baldios são um método inovador, que tem em vista a “programação da utilização racional dos recursos efectivos e potenciais dos baldios”, através da criação de projectos de plano-tipo. Ou seja, o Estado vai cooperar na elaboração de planos de utilização dos baldios, que estabelecem regras e prioridades que devem ser seguidas pelos compartes.
Proprietários vão receber apoios para preservarem as características das árvores de grande porte
No distrito de Bragança há 57 unidades de baldios onde predomina a floresta. A administração em regime de co-gestão de cerca de 80 por cento destas áreas é efectuada pelos Conselhos Directivos ou Juntas de Freguesias, em parceria com o Estado, através dos Serviços Florestais.
No que toca à floresta privada foram criadas as Zonas de Intervenção Florestal, que contemplam a criação de planos de gestão e de planos contra incêndios.
Para valorizar as parcelas agrícolas e florestais inseridas em zonas protegidas foram lançadas novas medidas de apoio aos produtores no âmbito das Intervenções Territoriais Integradas (ITI), que vão substituir os Planos Zonais.
No Nordeste Transmontano estão em processo de criação as ITI de Montesinho-Nogueira, Douro Internacional e parte do Douro Vinhateiro, no concelho de Vila Flor. Trata-se de um sistema de ajudas aos proprietários de terrenos integrados na Rede Natura, que tem em vista a preservação de espaços com forte valor ambiental.
Segundo o delegado regional de Agricultura do Nordeste Transmontano, Francisco Ribeiro, estes apoios são uma forma de sensibilizar os agricultores a assumirem compromissos do ponto de vista ambiental, durante um período de cinco anos.
A título de exemplo, uma das medidas destina-se aos soutos notáveis. Ou seja, os agricultores que têm castanheiros com muitos anos e de grande porte vão receber ajudas para preservarem estas árvores, algumas delas centenárias.



