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Autoridades dispersaram ajuntamentos de jovens em Bragança

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Ter, 14/07/2020 - 16:46


Wanderley Antunes, presidente da Associação de Estudantes Africanos em Bragança, e Braima Dabó, aluno do IPB, já reprovaram o comportamento

Na madrugada deste sábado, a PSP de Bragança foi obrigada a intervir num bar/ restaurante na Avenida Sá Carneiro, em Bragança, onde estavam cerca de uma centena de jovens da comunidade africana. A polícia retirou os jovens do local e foram levantados autos de contra-ordenação. Segundo o comandante da PSP, já havia “jovens com abuso de álcool”. “A dispersão foi imediata”, disse José Neto, explicando que os autos de contra-ordenação foram encaminhados para a secretaria-geral do Ministério da Administração Interna para serem aplicadas as coimas. O comandante contou ainda que foi contactado o proprietário do espaço, que confessou que “sentiu muita dificuldade em garantir que a situação não acontecesse” mas, ainda assim, não comunicou à PSP. Quanto ao estabelecimento, José Neto disse que há possibilidade de o espaço vir a ser fechado por tempo indeterminado, atendendo a que “é difícil as pessoas perceberem que neste momento a saúde pública está em primeiro lugar”. “Não podemos permitir que a concentração de pessoas se faça daquela forma completamente descontrolada”, afirmou. A PSP tem mantido contacto com a Associação de Estudantes Africanos, que se diz “impotente na capacidade de persuadir os jovens de aparência africana”. Comportamento “lamentável” Contactado pelo Jornal Nordeste, o presidente da Associação de Estudantes Africanos em Bragança já reagiu ao que aconteceu no sábado. Wanderley Antunes considera que não é por falta de “sensibilização”, mas por “indisciplina” que alguns elementos da comunidade têm este comportamento. Disse ser “lamentável” esta conduta, que “mancha” a imagem de toda a comunidade. “Nós e todas as entidades, nomeadamente a câmara municipal de Bragança e Mirandela, a Protecção Civil, a delegação de saúde da região, que tem sido incansável, o IPB que também tem estado a fazer um esforço enorme para apoiar os alunos que estão em confinamento. E ver um grupo de pessoas que estragam esse tipo de trabalho é lamentável”, afirmou. Wanderley Antunes adiantou ainda que a AEAB está a colaborar “fortemente” com a PSP para identificar as pessoas que têm estes comportamentos e “juntamente com a justiça sofrerem as consequências”. A Associação de Estudantes Africanos em Bragança publicou ainda, na sua página oficial do Facebook, um comunicado, onde expressa o seu “descontentamento” e “inquietação” com a situação. Pode ler-se o apelo da associação para a responsabilidade e o bom senso. Este é já o quarto comunicado emitido durante a pandemia. Braima Dabó, atleta e estudante da comunidade africana do IPB, também fez uma publicação no Facebook, onde realça o acolhimento da cidade brigantina e apela à responsabilidade. “Como o responsável desta cadeia de estudantes africanos a nível nacional tomei a iniciativa de apelar para sermos mais solidários uns com os outros e pensarmos no próximo, visto que estamos num momento muito crítico. Esta cidade sempre acolheu os estudantes africanos”.

GNR também teve que encerrar festa

No sábado, a GNR cessou também uma festa, com 30 pessoas, numa propriedade privada no concelho de Bragança. As autoridades receberam uma denúncia e quando chegaram ao local perceberam que havia um aglomerado de pessoas. Segundo o oficial de Relações Públicas da GNR de Bragança, as pessoas acataram as orientações das autoridades e rapidamente dispersaram. Hernâni Martins contou também que foi elaborado um auto de contra-ordenação e o proprietário, promotor da festa, foi multado no momento. “As coimas variam entre 100 a 500 euros para singulares e de 1000 a 5000 para pessoas colectivas”, explicou. Não foram feitas detenções, uma vez que nenhuma das pessoas presentes na festa estava infectada com Covid-19 ou estava a incumprir o isolamento profiláctico.

Jornalista: 
Ângela Pais