class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-166574 node-type-noticia">

            

Artesanato para garantir rendimento

Ter, 10/07/2007 - 10:40


Bainhas abertas, tapeçaria, cestaria e macramé são algumas das artes tradicionais leccionadas por Fátima Moreira a um grupo de 14 beneficiárias do Rendimento Social de Inserção, no Bairro do Fundo do Fomento Habitação da Mãe d`Água, em Bragança. Trata-se de um trabalho tipicamente feminino, visto pela formadora e alunas como uma forma de rendimento futuro. “O rendimento mínimo não dura toda a vida. Por isso, se aprenderem estas artes é uma forma de conseguirem amealhar algum dinheiro para o futuro”, acrescentou Fátima Moreira.

Esta posição é partilhada por Ernestina Reis, de 34 anos, que começa a dar os primeiros pontos nalgumas destas artes. “ É bom aprendermos um pouco de tudo e se, formos trabalhando, conseguimos tirar algum rendimento”, salientou.
Apesar destas artes estarem em vias de extinção, visto que os mais novos enveredam por outros caminhos, Ernestina conta que as três filhas mais velhas também gostam de trabalhar em artesanato, nomeadamente em rendas, que começaram a aprender com a mãe.
Formadora há cinco anos e artesã há cerca de vinte, Fátima Moreira recorda os tempos em que andava na escola primária de Varge, no concelho de Bragança. “Nos intervalos, em vez de ir brincar com os colegas, ficava ao pé da professora a fazer renda. Fazia isto porque gostava muito”, enfatiza.
O “amor” à arte levou-a a frequentar várias formações para aperfeiçoar as técnicas que aprendeu com a mãe.

Grupo de mulheres vê peças de artesanato únicas como uma forma de gerar rendimento

Aos 40 anos, a formadora realça que para aprender artes tradicionais é preciso ter gosto pelos diferentes tipos de artesanato.
“Estas mulheres têm gosto em aprender e isso é bom para elas, visto que quanto mais forem fazendo, melhores são os resultados”, acrescentou.
A reciclagem de panos e lãs é um dos segredos das artesãs para pouparem dinheiro nas matérias-primas, conseguindo peças de artesanato únicas. “Por mais que se tente fazer uma imitação, as peças são sempre diferentes”, salientou a responsável.
A par das artes tradicionais da região, a formadora também está a implementar o macramé, um tipo de artesanato usado para fazer as redes dos pescadores, que foi adaptado aos panos, toalhas e tapeçaria.
Apesar de considerar que as artes tradicionais têm futuro, Fátima Moreira afirma que os preços acabam por adiar algumas compras. “Um pano em macramé, por exemplo, custa cerca de 150 euros. São peças muito trabalhosas e únicas, por isso não podemos vender mais barato. Há muitas pessoas que gostam, mas acabam por não comprar devido ao preço”, lamenta.