Ter, 26/06/2007 - 10:38
No entanto, foi em Lisboa, para onde foi com 16 anos, que Fátima Alfaia tomou o gosto pela moda e formas femininas. Num atelier de Alta-Costura da capital concebeu roupas e acessórios que vestiram grandes figuras e individualidades da época. Senhoras que exigiam receber um tratamento especial, tal como os tecidos que trajavam. “Eram grandes mulheres, a quem tínhamos que tratar sempre por madames”, recordou Fátima Alfaia.
Passados dois anos, regressou à terra natal e ao atelier de onde tinha saído em busca de sonhos e maiores conhecimentos da profissão.
Contudo, após o casamento, emigrou para França, onde manteve o contacto com as roupas e costura. Regressou a Bragança há cerca de quatro anos, altura em que abriu o seu próprio atelier de costura no Mercado Municipal, onde concebe os seus modelos e roupas. “Tenho muitos pedidos, especialmente para roupas de cerimónia”, referiu Fátima Alfaia.
Costureira dá preferência às roupas femininas, uma vez que exigem mais pormenores e formas
A costureira executa, apenas, modelos femininos, uma vez que exigem mais criatividade e pormenores. “É muito mais interessante fazer roupas para mulheres, pois posso aplicar as minhas ideias com mais flexibilidade”, explicou.
Apesar de ser a sua profissão, Fátima Alfaia sublinha que a costura é uma função muito árdua, pois requer dedicação, esforço e atenção. “É necessário gostar mesmo da arte, pois exige muito pormenor e, como sou perfeccionista, é mais difícil ainda”, acrescenta.
Cada roupa é executada manualmente, pelo que o seu valor está “no trabalho e na exclusividade de cada modelo”. Fátima Alfaia sublinha que comprar uma peça fabricada em série pode tornar-se mais barata, mas “nunca tem a mesma qualidade e beleza que o vestuário feito à mão”. Por isso, a costureira diz sentir muito orgulho no que faz e sempre que vê alguém a vestir uma peça concebida no seu atelier.
Costureira refere que criatividade surge daquilo que vê no dia-a-dia e das revistas de moda
Cada roupa é totalmente pensada e executada por Fátima Alfaia, que se inspira no que vê e, também, nas ideias de modelos que retira das revistas”, explicou. Contudo, é à medida que vai concebendo a peça que lhe dá a forma, acrescentando sempre um pormenor diferente e especial. “Desenho a roupa, mas depois vou alterando enquanto a estou a fazer até ao resultado final”, explicou a profissional.
No passado sábado, cerca de 20 mulheres desfilaram modelos de roupa pensados e totalmente concebidos por Fátima Alfaia, que retratou a moda desde 1800 a 2007. “Achei muito engraçada a ideia de dar a conhecer a moda de outros tempos”, justificou a costureira.
Penteadas pelo Salão Felícia, as modelos desfilaram na Escola EB2/3 Paulo Quintela, perante o olhar atento de dezenas de espectadores.
Algumas das roupas foram criadas no âmbito do curso de Corte e Costura que funciona na Escola do Loreto, em Bragança, onde Fátima Alfaia é formadora.




