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90% das vítimas são mulheres

Ter, 13/11/2007 - 10:23


A funcionar há um ano, o Gabinete de Apoio à Vítima de Bragança (GAVB) já recebeu 94 pedidos de ajuda, 90 por cento dos quais feitos por vítimas do sexo feminino. As mulheres, com idades entre os 25 e os 44 anos, são os rostos marcados pela violência doméstica, que, na maioria dos casos, permaneceu escondida dentro de quatro paredes durante vários anos.

Estes números são revelados pela Segurança Social de Bragança, um dos parceiros envolvidos no combate à violência doméstica, juntamente com o Governo Civil, onde funciona o GAVB. Este espaço, criado para receber, apoiar e aconselhar vítimas de violência doméstica, conta com o trabalho de três psicólogas e um jurista, que, em colaboração com as forças de segurança, ajudam as vítimas a recomeçar a viver.
“Há um acompanhamento da vítima do ponto de vista psicológico, judicial e, até, financeiro, visto que procuramos ajudá-la a arranjar emprego”, frisou a coordenadora da Segurança Social de Bragança, Teresa Barreira.
O acolhimento em casas de abrigo é uma das soluções apresentadas às vítimas para poderem recomeçar um novo projecto de vida. “Temos uma rede nacional de casas de abrigo, pelo que as pessoas podem ser acolhidas em qualquer parte do País”, explicou a responsável, acrescentando que a estratégia futura passa pelo afastamento do agressor e não da vítima.

Denúncias de violência doméstica aumentaram com a abertura do Gabinete de Apoio à Vítima

Perante a realidade da violência doméstica, o GAVB oferece um conjunto de respostas a todas as pessoas que precisam de ajuda, mas a decisão final depende da vontade de cada pessoa. “A maior parte das vítimas não querem ser acolhidas. Apresentam queixa nas autoridades e regressam ao domicílio, na maioria das vezes, com a esperança de conseguirem alterar o comportamento do agressor”, realça a psicóloga da Segurança Social, Filipa Martins, acrescentando que, na maioria dos casos, o cenário de violência continuou.
A situação agrava-se quando as vítimas são mulheres que dependem financeiramente dos maridos ou companheiros e não têm um projecto de vida traçado. “Muitas vezes chegam num estado de depressão tão elevado que é muito complicado saberem aquilo que são capazes de fazer. Por isso, nós apresentamos-lhes um conjunto de soluções, que passam por arranjar emprego ou apostarem na formação”, acrescenta Filipa Martins.
Desde que o GAVB abriu as portas têm-se registado um aumento do número de vítimas de violência, que, até ao dia em que decidiram apresentar queixa do agressor, sofriam em silêncio. “Antes a Segurança Social já dava apoio, mas a inexistência de um espaço próprio poderia inibir as vítimas de procurarem ajuda”, acrescentou Teresa Barreira.
Analisando a violência concelho a concelho, Bragança regista o maior número de casos, com 58 vítimas a procurarem ajuda no gabinete.
Perante a realidade vivida no Nordeste Transmontano, o GAVB deverá ser alargado através da criação de novas parcerias. “O objectivo é encontrar outros parceiros para alargar este espaço e dotá-lo de maior multidisciplinaridade”, concluiu Teresa Barreira.