Ter, 20/11/2007 - 09:56
As propostas foram lançadas em 2005, na Bolsa de Turismo de Lisboa, mas apenas duas agências de viagens (uma em Macedo de Cavaleiros e a outra no Porto) aderiram à venda dos pacotes. A promoção ainda chegou a ser feita junto dos potenciais visitantes, mas os elevados preços e a falta de capacidade hoteleira para alojar grupos numerosos ditaram o insucesso da iniciativa.
Além disso, um dos pacotes, denominado “Para descansar o Nordeste é o seu destino”, propõe aos visitantes que se desloquem de avião até Bragança ao fim-de-semana, quando os voos da Aerocondor se efectuam de segunda a sexta-feira.
Ao que o Jornal NORDESTE conseguiu apurar junto das agências de viagens, este pacote nunca funcionou. “Ainda tentámos negociar com a Aerocondor, mas o avião nunca chegou a trazer turistas porque ficava caríssimo. Por exemplo, uma família de seis pessoas teria de pagar 600 euros só pela viagem, uma situação que se revelou incomportável”, afirmou Francisco Guerra, sócio-gerente da “Guerra Tour”, uma das agências que aderiu à iniciativa.
Na mesma altura foram criados os pacotes “Natureza com montes de emoções e “A nossa gastronomia é um festival de sabores”, que também se encontram inactivos. Estes roteiros incluem passagens pela Terra Fria e Terra Quente, bem como recriações da matança do porco para quem se desloque de automóvel ou autocarro.
Até final do dia de ontem as propostas ainda estavam disponíveis em www.rt-nordeste.pt, mas os operadores turísticos dizem desconhecer a iniciativa. “Recebemos turistas através do programa ‘Escapadinha’, mas desses não temos conhecimento”, revelou a directora comercial do Hotel S. Lázaro, Sónia Baltazar.
Operadores turísticos desconhecem pacotes turísticos promovidos no site da Região de Turismo
Francisco Guerra, por seu lado, lamenta que estes roteiros não funcionem, mas realça que, antes de tudo, é preciso aumentar o número de camas na região. “Antes de lançar novos pacotes é preciso preparar o terreno. Ou seja, fazem falta mais unidades hoteleiras, porque se vêm dois autocarros de 50 lugares já não há camas. Além disso, é preciso haver organização entre agências, hotéis e restauração”, frisou o responsável.
Os preços elevados de cada pacote também afugentaram os visitantes. “No início ainda vieram duas ou três famílias. Posteriormente, há algumas pessoas que vêm pelos próprios meios e essas já não passam pelas agências”, salientou o operador, acrescentando que só é possível apresentar preços convidativos quando vêm grupos de mais de 50 pessoas.
As acessibilidades são, igualmente, um obstáculo para o turismo. “Não temos auto-estrada, nem comboio e as pessoas acabam por escolher outros destinos”, lamenta Francisco Guerra.
Perante esta situação, o vice-presidente da RTNT, Carlos Ferreira, afirma que estão a ser estudadas novas propostas e reconhece que ainda há muita coisa para fazer em matéria de turismo no Nordeste Transmontano. O responsável acrescenta, ainda, que a venda de pacotes só funcionará com a adesão dos operadores turísticos e com a realização de novos investimentos privados.
Entretanto, a RTNT está a trabalhar numa campanha de marketing turístico para promover a região. “Estamos a fazer um conjunto de material promocional, que aposta muito na imagem e nas paisagens”, salienta Carlos Ferreira.


