Ter, 13/11/2007 - 10:28
Jornal NORDESTE (JN) – Que razões o levaram a abandonar o CDS-PP?
Firmino Cordeiro (FC) - Na minha opinião quem faz os partidos são as pessoas. É evidente que existe a doutrina, e a esse nível sou e serei defensor de políticas à direita, adepto da livre iniciativa, da liberdade de opinião, e de oportunidades. Aderi ao CDS-PP a convite de alguém por quem tenho admiração, pela sua capacidade de trabalho e pelas suas qualidades pessoais. Refiro-me ao médico José Mesquita.
No CDS-PP, à semelhança de outras forças político partidárias, sempre existiram diferenças de opinião e algumas disputas internas, salutares por vezes, mas na sua maioria, prejudicial ao crescimento e afirmação do partido. Fui discordando, fui avisando, fui transmitindo algumas das minhas divergências a quem de direito, poucos ou nenhuns resultados assisti. Com respeito pelo esforço de todos, mesmo daqueles que fui discordando, entendi, terminado um ciclo de responsabilidades, não ter condições para continuar um projecto político com o qual discordava cada vez mais.
JN – Saiu desiludido do CDS-PP?
FC – Posso-lhe dizer que a dimensão do projecto político que desenvolvi em Macedo de Cavaleiros fez-me reflectir sobre princípios tão basilares em política, os meios, a dimensão e o espírito de grupo. Várias soluções podiam ter sido equacionadas por mim. Aliás, algumas foram-me propostas, todas elas mais cómodas e, seguramente, capazes de salvaguardar a minha imagem e por ventura o meu “hipotético” interesse pessoal. Não é essa a minha forma de estar na vida e na política. Aceite o desafio e as responsabilidades, enfrentei com todas as minhas forças, sacrifícios e debilidades, todos os obstáculos até ao dia 9 de Outubro de 2005.
Passada esta data, com a frieza necessária, com a ponderação que se exigia, apresentei a minha demissão como responsável concelhio a 29 de Outubro de 2005, e a demissão como militante do CDS-PP a 26 de Janeiro de 2006.
“Não tinha condições para continuar um projecto político com o qual discordava cada vez mais”
JN – E agora troca Macedo de Cavaleiros por Alfândega da Fé, e o CDS-PP pelo PSD...
FC – Bem, a minha decisão é um regresso às origens, pois Vilarchão, freguesia do concelho de Alfândega da Fé, é a minha terra natal.
Nela desenvolvi um projecto agrícola que tem tido uma importância relevante na minha experiência de dirigente associativo. Foi também o palco onde iniciei, através da política, a defesa junto do poder autárquico, de uma maior intervenção no apoio à actividade agrícola e ao conjunto de actividades que lhe estão associadas.
Sou um dos principais produtores de cereja de Alfândega da Fé, possuo uma área considerável de olival, amendoal e floresta de sobro. Tratam-se de produtos e produções que devem continuar a ser devidamente acarinhadas. Aliás, sob proposta do actual executivo, Alfândega da Fé já é considerado o concelho mais biológico do País. A este propósito, recordo que sou fundador e dirigente da Associação dos Agricultores Biológicos de Portugal, também ela sedeada em Alfândega da Fé.
No meu concelho quero colocar-me ainda mais à disposição de todos os agricultores, na salvaguarda dos seus interesses e com eles ultrapassar barreiras e obstáculos por todos sobejamente conhecidas. Estou na recta final dum percurso difícil, contudo de uma experiência nacional e internacional agrícola, que jamais poderá ficar no arquivo das minhas memórias.
É esta experiência adquirida na AJAP que quero partilhar e potenciar em prol do desenvolvimento Agro – Florestal e de Turismo no Espaço Rural no meu concelho.
JN – O facto de se ter filiado no PSD significa que vai entrar na corrida nas Eleições Autárquicas de 2009? O que pensa da acção do actual executivo camarário de Alfândega da Fé?
FC – O futuro a Deus pertence, mas em política a decisão do povo é soberana. É portanto aos eleitores do concelho de Alfândega da Fé que cabe o juízo final. No entanto os responsáveis dos cargos executivos, chegados ao fim do mandato, se conscientes do dever cumprido, se tudo fizeram para projectar o nome de Alfândega da Fé, se tudo ao seu alcance também foi feito em prol do bem-estar social e económico dos munícipes, não devem recear o veredicto final dos eleitores.
Nestes últimos seis anos, Alfândega da Fé é, e tem sido noticiada por projectos originais e empreendedores, assentes numa lógica de promoção de tudo o que de melhor se faz no concelho, redimensionando-o à escala, dando-lhe consistência e objectividade. Refiro-me a produções culturais, produções agrícolas, promoção de mais produtos turísticos, novas tecnologias, promoção de maior intervenção social e na saúde. Destaca-se um vasto conjunto de infra-estruturas como o Centro de Saúde, Centro Cultural, Biblioteca Municipal, Pólo Escolar, Pavilhões Desportivos Cobertos, EDEAF, Etar’s e acessibilidades de extrema qualidade.
JN – Mas terá de contar com uma oposição de ferro do lado do PS…
FC - É evidente que a oposição, protagonizada e centralizada na candidata do PS às últimas eleições, tudo tem feito para denegrir a imagem de quem fez mais pelo concelho de Alfândega da Fé, em 6 anos, do que o reinado PS em três mandatos consecutivos.
A candidata do PS nas últimas eleições vem motivada pelo excelente resultado obtido em 2005, não podemos ser ingénuos! No entanto, tem como grande adversário o Governo do seu próprio partido, o pior para o País e, com toda a certeza, para a nossa região, desde o 25 de Abril. Várias são as atrocidades nas áreas da saúde, no ensino, na assistência social, na ausência de incentivos aos débeis sectores da agricultura, comércio, serviços, e indústria. Apenas se regista, com a pompa e circunstância a que este Governo nos tem habituado, a passagem do primeiro-ministro para anunciar a construção da barragem do Baixo Sabor, obra esta que, em abono da verdade, foi proposta a Bruxelas pelo Governo de Durão Barroso.
Se estiver devidamente organizado, não duvido que o partido que suporta o poder em Alfândega da Fé sairá das próxima eleições com uma margem bem mais estável do que em 2005.
JN – Como pessoa liga à agricultura, o que pensa da criação da EDEAF – Empresa Municipal de Desenvolvimento de Alfândega da Fé?
FC - Esta iniciativa envolveu a Câmara Municipal num problema que, directa e indirectamente, diz respeito a praticamente todos os munícipes. Refiro-me à comercialização das produções, eterno problema da agricultura e dos agricultores. Um outro mérito prende-se com a afirmação da qualidade através da certificação de produtos e produções e com a marca chapéu, “Terras de Alfândega”.
Todos nós mais ou menos ligados à agricultura em Alfândega da Fé, achamos que este projecto peca por tardio e ansiamos uma parte significativa da comercialização das nossas produções passe pela EDEAF.


