Ter, 30/10/2007 - 11:50
Segundo o empresário, a ideia de conciliar uma paisagem protegida com aerogeradores é impensável, pelo que o PNM passaria a ser visto como “um parque de segunda categoria”, garante.
Já para Sally Godward, proprietária do Lagosta Perdida, em Montesinho, é necessário preservar a natureza, mas, também, o turismo, pois muitos habitantes do PNM vivem deste sector. Por isso a operadora considera que um parque eólico em Montesinho é incompatível com a paisagem protegida. “Os estrangeiros viajam imensos quilómetros para verem um local selvagem, pelo que não se pode industrializar um espaço de turismo de natureza”, salienta Sally Godward.
Na óptica do presidente da Montesinho Vivo, Telmo Cadavez, a instalação de um parque eólico afectará a imagem e investimentos que têm sido feitos no PNM. “Nos últimos sete anos, os operadores privados apostaram fortemente no turismo do Parque, de modo que avançar com o projecto de energia eólica é deitar tudo para o lixo”, defende o responsável.
Para Telmo Cadavez, os turistas que procuram a natureza, deixariam de visitar a região, caso a paisagem fosse transformada. Assim, é essencial mantê-la “limpa de qualquer poluição visual”, de modo a preservar o PNM enquanto espaço de turismo de natureza, sustenta o dirigente.
Região de Turismo do Nordeste Transmontano defende equilíbrio entre posições
A solução está, segundo o presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano (RTNT), Júlio Meirinhos, no equilíbrio das duas posições. Ou seja, caso o projecto eólico avance, o turismo poderá ficar comprometido, uma vez que “se promove uma zona que depois não se oferece aos visitantes, que querem descobrir natureza pura”, explica o responsável. No entanto, com a instalação de aerogeradores em Espanha, junto ao PNM, “já foi causado impacto na paisagem, pelo que se pode partir da reciprocidade do lado espanhol”, acrescenta. De qualquer forma, alerta Júlio Meirinhos, “se semearmos estes equipamentos na natureza, teremos um impacto negativo”.
Alberto Fernandes, proprietário do D. Roberto, em Gimonde (Bragança), partilha desta posição. Na óptica do empresário, devem-se avaliar as duas hipóteses, de modo a conhecer “os valores económicos em jogo e as formas de minimizar os impactes ambientais, caso avance o parque eólico”.


