Ter, 16/10/2007 - 11:36
Jornal Nordeste (JN) – Grupo Desportivo de Bragança (GDB) e Câmara Municipal de Bragança (CMB) chegaram a acordo para a iluminação do Estádio. O acordo afirmava que as obras começariam em Setembro, mas ainda não arrancaram. O que está a faltar neste processo?
Manuel Martins (MM) – Não está a faltar nada. Está tudo a seguir os parâmetros normais do acordo estabelecido. Temos que compreender que colocar uma iluminação para treinar e colocar uma iluminação para jogar não é igual. Quando o orçamento da iluminação ultrapassa determinados valores, a obra tem que ir a concurso público, como é o caso. Ainda assim, lá para Dezembro, o estádio já terá iluminação artificial.
JN – O facto de, actualmente, não haver iluminação no Estádio dificulta os treinos do clube?
MM – É normal que dificulte o rendimento dos atletas, pois, como clube amador, os treinos passaram para a noite e o nosso campo não nos oferece essas condições.
JN – Sente que o público tem estado divorciado do clube?
MM – Concordo que não tem vindo muita gente ao estádio apoiar-nos. De facto, há aspectos que nunca agradam às pessoas. Se temos uma equipa só com jogadores da terra, dizem que devia ter atletas de fora. Esta é uma equipa jovem mas experiente, já que a base do conjunto já está há alguns anos no clube. Por isso precisámos de algum tempo, já que, certamente, os jogadores não perderam valor.
De referir que estamos a pagar por aquilo que alguém fez e não pagou. Por exemplo, estamos a pagar a atletas cerca de 800 euros mensais e não estão a jogar no clube, caso do Joel, que esteve nas nossas fileiras em 2002. Estamos ainda a pagar rendas de apartamentos de anos anteriores. Temos um orçamento para cumprir e uma dignidade a recuperar.
JN – Como pretende aproximar o público da equipa?
MM – Objectivamente, as pessoas têm-se queixado do preço dos bilhetes. Por isso, já no próximo jogo em casa, os bilhetes baixarão para os 6 euros. Com esta redução, significativa, esperámos que o público adira a esta medida e assim evitar desculpas dos mais críticos. Também as esposas dos sócios não pagarão bilhetes. Com o decorrer do tempo tenho a certeza que o Bragança regressará as vitórias e às boas exibições e, quando assim é, o público apoia mais a equipa.
“No próximo jogo em casa, frente ao Valenciano, os bilhetes baixarão para os 6 euros”
JN – O que está a falhar, neste início de campeonato?
MM – Até agora só encontrámos boas equipas, daí alguns resultados menos positivos. O Facto de treinarmos à noite também tem condicionado a equipa, pois ainda não encontrou o ritmo certo.
JN - A equipa pode crescer muito mais?
MM – Acredito que a equipa vai crescer com o decorrer do tempo. Com o talento que temos, não demorará muito em andar nos lugares cimeiros da classificação.
JN - Mas admite a hipótese de o clube descer?
MM – Não. Temos um grupo de trabalho para ficar nas 6 primeiras posições e fazer um campeonato tranquilo.
JN – O que aconteceu ao Sanny e Maicon que foram inscritos na Federação mas não se encontram ao serviço do clube?
MM – O Sanny é jogador do clube. Quando se preparava para jogar contra o Vidago, em casa, o atleta desapareceu sem dar notícias. Quanto ao Maicon, o atleta esteve aqui 2 meses, com a garantia que o seu empresário pagaria a inscrição. O clube deu-lhe de dormir e comer até ao dia que foi embora. A desculpa que nos deu foi que tinha ido ter com o Pitbull a Setúbal para resolver uns problemas. Como não aparecia anulámos a inscrição. Com estas atitudes dá vontade de não contratar atletas estrangeiros.
JN – Há reforços à vista?
MM – Já contratámos o trinco Braima, o ponta-de-lança Telmo (ex- Padroense) e o Central Ismael está prestes a assinar. Estamos ainda a pensar em contratar mais um atleta, mas sempre dentro do orçamento que temos de cumprir.
JN – Qual o papel da formação na sua política desportiva?
MM – A formação no Desportivo é uma aposta da actual Comissão, pois sabemos que aí reside a sustentabilidade do clube. Esta política tem dado os seus resultados, já que temos vários atletas na equipa principal e já levámos três jovens para o Braga. São sinais que o clube está a trabalhar bem, aproveitando, eficazmente, os recursos humanos da terra.
Neste momento temos cerca de 200 jovens a trabalhar connosco, o que reflecte o papel do GDB enquanto entidade formadora e a confiança dos pais no clube.
JN – Pretende apresentar direcção numa próxima Assembleia?
MM – É uma hipótese. Não estamos agarrados a coisa nenhuma, somos simplesmente pessoas determinadas em resolver os problemas.
JN – No plano financeiro, o que tem feito a Comissão Administrativa para sanar o passivo?
MM – Uma vez por mês estamos no Fórum Theatrum para vender material do clube. Tivemos uma barraca no Eixo Atlântico, durante as Festas da Cidade, temos um sorteio a decorrer e baixámos, como é sabido, os salários dos jogadores. Em Março vamos fazer uma actualização das quotas dos sócios. Trata-se de uma campanha que passa por alguns sócios pagarem, pelo menos, um ano de atraso para ficarem com as quotas em dia.
Temos que baixar o passivo em 40 por cento. Tudo indica que sim, a não ser que descubramos mais dívidas vindas não sei de onde. Com esta redução ficaremos, apenas, com um passivo de 100 mil euros. O presidente da CMB impôs-nos algumas cláusulas para este ano, nomeadamente a redução do passivo. Se conseguirmos responder afirmativamente, receberemos um bónus da autarquia no mês de Junho. A comissão vai ainda sugerir que figure nos estatutos do clube uma alínea que obrigue as próximas direcções a apresentar resultados positivos no que se refere às contas do clube. Deste modo, as direcções serão directamente responsabilizadas pelos seus feitos.
Por último, uma palavra de apreço para os atletas da casa que abdicaram de ordenados para salvaguardar o interesse do clube.
JN – Sente que o Desportivo está, aos poucos, a deixar de ser uma das imagens de marca da cidade?
MM – O GDB continua a ter a mesma mística e a mesma força em termos de nome. Aos poucos, o clube recupera de alguma má fama, provocada, sobretudo, pela anterior direcção. Ainda assim continua a ser um dos símbolos da cidade.
O Bragança continua a ser o maior clube transmontano. Não fosse a gestão desastrosa da anterior direcção e o clube estaria muito mais lá em cima. Se depender de nós, o Desportivo terá sempre uma imagem de rigor e transparência.


