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Passear a pé

Ter, 09/10/2007 - 11:07


Antigamente era exigido ao ser humano um grande esforço físico, tanto para o trabalho como para as deslocações já que não havia os meios de transporte que existem hoje. Quando muito, as pessoas deslocavam-se a pé, a cavalo, de carroça, enfim, eram outros tempos e bem mais difíceis.

No entanto, a preparação física da generalidade das pessoas era incontestavelmente maior. A obesidade não era um problema, o culto do corpo não era importante pois não era necessário.
Hoje as coisas mudaram radicalmente. Temos todas as comodidades e podemos ir para todo o lado confortavelmente instalados num qualquer meio de transporte. Temos tudo, temos demais.
Andar deixou de ser um hábito saudável para se tornar numa obrigação para bem do nosso corpo e da nossa saúde. Unanimemente nos dizem que é necessário andar para prevenir e lutar contra um elevado número de doenças. Nós somos muito comodistas e o carro transformou-se nas nossas pernas: para ir ao café, para ir à igreja, para ir ao mercado, mesmo que fiquem a poucos metros de casa, vamos de carro, enfim, às vezes o carro torna-se um prolongamento de quem o utiliza e não se entra com ele casa adentro porque ocupa muito espaço.
Felizmente começamos a ter algum cuidado e exigimos de nós mesmos o sacrifício de andar, nem que seja uma rápida meia hora por dia.
Também os autarcas começam a encarar as localidades como espaços polivalentes e multifacetados, capazes de responder a todas as solicitações dos munícipes e criam espaços desportivos e de lazer, percursos na natureza e urbanos que convidam à procura de uma vida mais saudável.
É, no âmbito deste interesse e desta preocupação do mundo ocidental que mais uma vez me atrevo a sugerir que se aposte nos percursos pedonais urbanos. O espaço POLIS é um bom exemplo de um espaço onde se pode e deve andar, no entanto, penso que se deve prolongar até ao São Lázaro esse passeio. Para isso basta melhorar o caminho já existente ao longo do rio Fervença.
Sugiro, ainda, que para não deixarmos cair no total esquecimento o facto de um dia, e por vários anos, termos tido comboio, se faça um percurso pedestre desde a avenida Pavillon Sous Bois em Vale de Álvaro até ao local onde antes existia a ponte do comboio na avenida Abade de Baçal ao longo de toda a antiga linha para, de alguma forma, mantermos a lembrança dos tempos em que o comboio era uma mais valia para toda a região e, ao mesmo tempo, contribuirmos para a nossa saúde e bem-estar, andando a pé, em lugares que não são lugares vazios, mas sim locais que fazem parte da nossa memória colectiva que não devemos deixar esquecer.

Marcolino Cepeda