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Saldonha ligada à telha e à cal

Ter, 09/10/2007 - 10:59


Da EN215 é possível avistar-se um muro que parece não ter fim. À medida que se entra na localidade, comprova-se a grandiosidade e importância daquele conjunto opulento de pedras.

A entrada em Saldonha, no concelho de Alfândega da Fé, faz-se por entre muros altos que são, até hoje, associados ao nome mais conhecido da aldeia: Meneses Cordeiro.
Conta-se que este advogado empregava gente de todo o País, fazendo da localidade uma das mais movimentadas e animadas da região. “Aos domingos, tinha mais gente do que três aldeias têm agora”, recordou Maria de Fátima, residente em Saldonha.
Meneses Cordeiro era, além de “homem das leis”, um dos maiores agricultores da região, possuindo uma moagem, serração, lagar de azeite, silos aéreos e empresa de camionagem. “Os primeiros autocarros da região pertenciam ao doutor”, acrescenta a habitante.
O advogado era, também, proprietário do forno da cal que trazia muita gente a Saldonha para comprar esse produto. “Transportavam a pedra de Castro Vicente e coziam neste forno. Trazia muito dinheiro à povoação e havia sempre muitas pessoas que vinham à procura da cal”, conta Rosalina Borges, outra residente.
Os habitantes falam, ainda, do forno de telha, que era utilizado por toda a população. “Juntavam-se duas famílias e coziam a telha em conjunto. Nesses dias era uma festa, porque se assavam chouriças entre todos”, relata a popular.
Recolhido o barro, era amassado por uma junta de animais. Posteriormente era talhado e colocado em formas que iam ao forno. “Era um trabalho de equipa e trazia dinheiro, porque as telhas eram vendidas”, salienta.
Do forno restam, apenas, as lembranças, uma vez que foi destruído há algumas décadas para a construção de uma habitação. “É uma pena terem permitido isso. Se fosse hoje, não teria autorizado”, garante o presidente da Junta de Freguesia de Saldonha, Luís Escaleira.

Mouros e seus tesouros continuam a povoar as lendas e histórias relatadas pelos populares

Alguns vestígios arqueológicos encontrados comprovam que a origem de Saldonha remonta a épocas bastante recuadas, sendo que no sítio da Pena do Gato podem observar-se algumas inscrições e figuras pré-históricas. Teria existido, ainda, uma povoação num local chamado Castelo do Ouro”.
No entanto, é do tempo dos mouros que a população mais fala. Conta-se que este povo terá habitado a cerca de 1000 metros do centro de Saldonha, dando origem a lendas e histórias de tesouros enterrados. “Diz-se que uns homens que construíam um muro para o doutor Cordeiro encontraram, durante as escavações, uma sineta de ouro que pertencia aos Mouros”, relata Rosalina Borges.
Outros, familiares desta popular, terão achado uma arca recheada com objectos valiosos. “O meu tio sonhou com um baú. Quando o procurou encontrou-o, mas disse que só tinha farrapos velhos. No entanto, a partir daí começou a comprar muitas coisas, pelo que dentro devia ter algo valioso”, recorda a habitante.
As lendas e histórias mouras trazem, segundo Luís Escaleira, “muitas pessoas à freguesia que vêm à procura de mais informações e querem estudar o local”.