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Ao ritmo do corpo

Ter, 02/10/2007 - 10:51


Aos primeiros acordes de música clássica, as crianças e professoras colocam-se elegantemente em frente ao espelho que domina a sala. Os pés, bem como o resto do corpo, seguem posições e técnicas ensinadas pelas formadoras. Dançam e posicionam-se como se, em vez de uma sala de ballet, estivessem num palco e perante uma enorme plateia. Apesar da tenra idade, é visível o profissionalismo e empenho que acompanham os pequenos rostos e corpos que se modelam à música.

As professoras, Lucila Zanella e Maryna Yanchyk têm a seu cargo cerca de 100 crianças, entre os 3 e os 16 anos, que todas as semanas aprendem passos e técnicas de Ballet Clássico, Danças de Carácter, Academia e Salão.
Licenciada em Dança, Lucila Zanella, veio do Brasil para Bragança com uma intenção clara: “procurar um espaço, onde as pessoas valorizassem o que eu faço e o meu trabalho”, referiu.
Começou a dançar aos 5 anos até que, na altura de optar pelo curso a seguir, percebeu que queria fazer desta arte a sua profissão. “Com o passar do tempo fui vendo que era aquilo que queria fazer para a minha vida e decidi tirar um curso superior de Dança”, recorda a responsável.
Apesar ter formação como bailarina e professora, Lucila Zanella optou por ensinar esta arte aos outros e deixar de parte uma carreira como bailarina profissional. “A minha intenção sempre foi ser professora, porque queria ensinar o que aprendi. Mas, enquanto fiz a faculdade, era bailarina”, explicou a artista.

Dança ajuda na integração social e promove o trabalho de equipa

Apesar de “adorar ensinar Ballet Clássico” a qualquer pessoa e idade, Lucila Zanella confessa que com as crianças mais pequenas tudo assume um gosto especial, pois são mais verdadeiras. “Se estão ali é porque gostam mesmo e é mais fácil iniciar todo o processo de dança nessas idades”, confessa.
O Ballet, além de desenvolver a criatividade, coordenação motora, equilíbrio e proporciona uma melhor postura e elegância, ajudando na integração social dos alunos. “Esta dança é muito importante na vida de uma criança, tanto na vida artística como na social, pois trabalham muito em equipa e, se alguém tem um problema, ajudam-se entre elas”, sublinhou a professora.
Já para Maryna Yanchyk, uma ucraniana em Portugal há dois anos e que chegou a Bragança há, apenas, um mês, trabalhar com adultos torna-se mais fácil do que ensinar a crianças. “Muitas vezes os mais pequenos não querem fazer um movimento e os maiores já sabem o que querem”, explica.
Com 39 alunos, a professora ensina Danças de Carácter, que se dividem em Folclórica e Cerimonial, em francês, uma vez que é a língua de origem desta arte. “Explico cada movimento em francês e os alunos já sabem a que corresponde”, salienta Maryna Yanchyk.
Durante 18 anos, a bailarina leccionou no Teatro Profissional na Ucrânia, como Mestre de Ballet. “Quando vim para Portugal pedi equivalência do meu diploma, pelo que sempre trabalhei ligada à dança”, salienta a formadora.
Eis alguns retalhos da vida de duas mulheres, cujo dia a dia é embalado pela dança.