Ter, 25/09/2007 - 10:49
O ciclo tradicional do pão português foi, durante quase três meses, retratado sob várias telas, recitando a terra, a semente, a ceifa, a eira, a moagem e o forno. De um modo geral, a mostra conduziu os visitantes numa viagem pelas principais fases de produção, pelas quais o pão tem que passar até chegar às nossas mesas.
Uma cópia fiel ao ciclo do pão, carregada de milénios de história, desde a origem do pão por volta de 7000 a.c. até aos nossos dias. O autor dá, ainda, especial enfoque ao lado divino do pão, que durante séculos recebeu do Homem uma consideração quase divina até ao terceiro quartel do século XX. No fim de cada ceia, as pessoas davam as “graças a Deus” pelo alimento pois prestar o culto ao pão é festejar o trabalho do ano inteiro, “propiciar aos santos os seus benefícios, ofertando-lhes, para isso, os frutos da terra”.
Numa era marcada pela forte globalização, as obras de António dos Santos Silva potenciam o reforço da identidade e da especificidade da cultura transmontana como poucas.
O pintor nasceu na aldeia de Castro (Valpaços), mas foi viver para Jou (Murça) com apenas dois anos de idade. Atingidos os 24 anos, emigrou para França, onde seguiu quase todos os passos semelhantes aos seus concidadãos ali emigrados. Mais tarde, acabaria por se instalar com uma empresa de pintura e de restauro de imóveis, até ao presente.
Este contacto permanente com as artes decorativas fez com que descobrisse também a pintura ligada ao lado estético e artístico e cultural. Neste sentido, frequentou vários cursos, entre eles os dos Ateliers do Carrousel do Museu do Louvre de Paris.
António dos Santos Silva conta, já, com cerca de uma dezena de exposições, repartidas entre Portugal e França, determinadas em dar conhecer a imagem da comunidade nordestina.



