Ter, 25/09/2007 - 09:54
Jornal NORDESTE (JN) - Pondera ser candidato à Câmara de Vimioso em 2009?
José Sena (JS) – Pondero, porque não? É o meu concelho, gosto da minha terra que é Argozelo, mas tenho pena de não ver o município acomodado, nem a andar para a frente nem para trás. Por isso pondero, seriamente, ser candidato.
JN – E se avançar será como cabeça de lista?
JS – Sim, será em primeiro lugar.
JN – Já tem contactos de algum partido nesse sentido?
JS – Não, não tenho qualquer contacto porque pondero ser candidato na qualidade de independente, com apoio de um partido ou não. Mas a avançar com o apoio de um partido, só será pelo PS, onde tenho grandes amizades.
De qualquer forma, só serei candidato se a minha vida profissional o permitir. Ou seja, se as minhas empresas estiverem a laborar sem necessitarem da minha presença permanentemente, o que pode vir a acontecer perfeitamente, pois o quadro das empresas já conta com um director-executivo, um director de produção e, dentro de dois anos, o meu filho mais velho também já estará cá a tempo inteiro.
JN – Já esteve na Junta de Argozelo e, durante 4 anos, abdicou do vencimento. Está disposto a fazer o mesmo na Câmara de Vimioso?
JS – Jamais utilizaria o dinheiro do meu concelho para o meu bem-estar. Só pondero ser candidato se não precisar da política para viver e se não precisar do vencimento para me governar, a mim e à minha família.
Enquanto presidente da Junta de Argozelo nunca retirei de lá um cêntimo. Ajudei algumas pessoas da minha terra com esse dinheiro e nunca soube ao certo quanto ganhava. Acho que eram perto de 250 euros.
E, além de não ter ganho nada, ainda gastei muito dinheiro do meu bolso em telemóvel, deslocações, almoço e jantares, sem nunca ter cobrado um tostão à Junta.
“Se calhar baixaria o IRC para as empresas, porque isso para o empresário até é mais interessante do que os terrenos a 1 euro o metro quadrado”
JN – Que balanço faz do actual executivo da Câmara de Vimioso?
JS – Nem bom nem mau, porque vê-se muito pouco. Vejo algumas obras, vejo preocupação do presidente em atrair empresas para o concelho, mas depois vejo as poucas obras que se têm feito a serem entregues a empresas de fora do concelho.
É um contra-senso. Se o presidente quer empresas no seu município, então que entregue as obras da Câmara a empresas do concelho! Mas como isso não acontece, vejo empresas da terra a fecharem, como aconteceu com a Conopul. Fechou e agora o que se vê ao domingo são carrinhas a irem de Carção para Espanha com trabalhadores que já não têm emprego no concelho.
É triste ver que as obras com alguma visibilidade são sempre entregues a empresas de fora, que não pagam impostos no município.
JN- E em relação à acção da Junta de Freguesia de Argozelo, qual é a sua opinião?
JS – Para já não comento porque quero fazer um balanço no final destes 4 anos de mandato e avaliar o trabalho que foi feito. No entanto tenho que dizer que estou muito desiludido com o Presidente da Junta de Argozelo, porque ainda não vi nada cumprido. No final irei pronunciar-me.
A coisa mais fácil numa freguesia é estar num café a falar mal dos outros, só que do falar ao executar vai um passo muito grande. Falar é fácil, mas fazer já é mais difícil.
É pena porque nós tínhamos uma pessoa de Argozelo no lugar de vereador da Câmara de Vimioso e eu ainda não ouvi o presidente da Junta a dizer uma única palavra em público em defesa do Eng. Oliveira. Essa atitude define o presidente da Junta.
Quando eu era presidente de Junta acusavam-me de não viver em Argozelo, embora falasse todos os dias com os meus colegas que moravam lá e com o senhor presidene da Câmara. Agora como o presidente da Junta mora em Lousada, se calhar foi por isso que ainda não teve uma palavra de solidariedade para com o Eng. Oliveira.
JN – Foi membro da Assembleia Municipal de Vimioso. Porque é que suspendeu o mandato?
JS – Senti que era mais útil na minha empresa, que tem cerca de 60 trabalhadores directos e 100 e tal indirectos, do que ir a uma Assembleia Municipal onde tudo já estava decidido. As reuniões começavam às 10 horas e ao meio-dia já estava tudo despachado. Se um orçamento anual duma Câmara, que ronda 1 milhão de contos, se aprova em duas horas, o que é que estamos ali a fazer? Sempre achei que havia falta de debate na Assembleia e nas reuniões de Câmara não é muito diferente.
Ouço demasiadas vezes em Argozelo, Carção, Santulhão ou qualquer parte onde vou: “deixa andar, está bom demais”, o que demonstra que as pessoas estão acomodadas e sentem que não têm alternativas.
JN – Na sua opinião, a venda de terrenos a 1 euro o metro quadrado é suficiente para atrair empresas à Zona Industrial de Vimioso?
JS – Não, não basta dar o terreno e nada mais. Em campanha o presidente disse que ia fazer um Gabinete de Apoio ao Agricultor e um Gabinete de Apoio ao Empresário. Não existe nenhum apoio aos empresários do concelho para apresentarem projectos de desenvolvimento em locais próprios, apesar da Câmara ter contratado dois economistas.
Comigo, possivelmente, já estavam 10-15 pavilhões na zona industrial, feitos pela Câmara para empresas familiares.
Se calhar baixaria o IRC para as empresas, porque isso para o empresário até é mais interessante do que os terrenos a 1 euro o metro quadrado, mas para isso é preciso ter uma visão empresarial das coisas.
À excepção do presidente, que era funcionário público e sócio de algumas empresas, o problema da Câmara de Vimioso é estar entregue a pessoas sem visão empresarial.
São pessoas ligadas ao ensino, que eu respeito, mas pior do que não terem visão empresarial é nem sequer residirem no concelho.
Essa é outra das condições que vou impor. Se for candidato, toda a minha equipa terá de residir no concelho de Vimioso.
“Candidato-me em 2009, porque em 2013 não sei se haverá eleições. Se não deitamos mão a isto, Vimioso pode ser um dos concelhos extintos no âmbito duma Reforma Administrativa”
JN- Está-me a dizer, então, que passará a residir em Argozelo?
JS- Exactamente. Os meus colegas da Câmara só serão vereadores a tempo inteiro se viverem no concelho de Vimioso. Comigo ninguém será vereador a viver em Bragança, Macedo ou Mogadouro!
Não é possível um autarca reclamar investimentos para um concelho se nem sequer vive lá. Na Câmara de Vimioso, à excepção do presidente, que fez casa em Santulhão, todo o executivo vive e investe em Bragança! O exemplo tem que vir de cima.
Que legitimidade têm estes autarcas para tentarem captar empresas para Vimioso? É o mesmo que reclamarem investimentos para o concelho e depois montarem uma empresa em Bragança.
JN – Pondera criar uma unidade industrial em Vimioso?
JS – Se houver fundos disponíveis no QREN pondero montar uma empresa que criará 100 ou mais postos de trabalho.
JN – Confia ano futuro do concelho de Vimioso?
JS – Eu candidato-me em 2009, porque em 2013 não sei se haverá eleições. Se não deitamos mão a isto, Vimioso pode ser um dos concelhos extintos no âmbito duma Reforma Administrativa. Com esta política camarária nada mexe! Tudo corre o risco de fechar, desde o Tribunal a Correios, por inércia da Câmara que não bate o pé onde é necessário.
Os membros da Câmara preocupam-se em fazer um Boletim Municipal muito bonito, em ir a todos os funerais no concelho e a fazer encontros de idosos, que são coisas importantes, mas isso não garante o futuro das pessoas no concelho.
Que adianta dar 500,00 euros por nascimento se em Argozelo, por exemplo, nem um parque infantil existe na vila, além do que foi posto no S. Bartolomeu quando fizemos um projecto de reflorestação.
Repito: Em 2009 ainda há eleições para a Câmara, mas em 2013, se continuarmos assim, não sei se haverá.



