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Eólicas estragam “jóia da Coroa”

Ter, 18/09/2007 - 10:38


O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), Henrique Pereira dos Santos, considera que a instalação de parques eólicos no Parque Natural de Montesinho (PNM) pode prejudicar a ideia de que Montesinho é uma “das jóias da coroa do País”. “Vale a pena ponderar o valor económico das duas alternativas, pois a introdução de parques eólicos pode destruir esse conceito que demorou anos a ser construído”, referiu o responsável, acrescentando que o PNM, tal como está, gera fluxos turísticos.

Henrique Pereira dos Santos acredita que é preferível apostar na promoção do turismo, cujo aumento de visitantes poderá criar postos de trabalho, em vez da instalação de geradores eólicos. “Como a falta de emprego é um dos maiores problemas do mundo rural, temos que pensar em criá-los e não vai ser através das energias eólicas”, argumenta o responsável.
Visão diferente tem o director regional de Agricultura do Norte, Carlos Guerra.
Com 27 restrições, 32 condicionamentos e 22 medidas de apoio, o Plano de Ordenamento (PO) para o PNM é “excessivamente direccionado, pois não perspectiva o futuro, reflectindo, apenas, um passado”, alega o responsável, que dirigiu o PNM e o ICN durante vários anos.

Gestão do Parque de Montesinho deverá ser feita em conjunto com autarcas

Carlos Guerra acredita que a coordenação do Parque deverá ter em conta a opinião dos autarcas. “Deve ser uma gestão participada, em consonância com autarquias e organizações locais, na qual o desenvolvimento rural é muito importante, em que não é correcto rejeitar estruturas de produção energética”, acrescentou Carlos Guerra.
Já o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, considera que o plano “é mau, proibicionista e não é positivo para a sustentabilidade, pelo que vai contribuir, de algum modo, para a degradação deste território, com prejuízo para a população”.
O edil bragançano sublinha, ainda, que o PO é irracional, uma vez que não tem em consideração a instalação de parques eólicos naquela área protegida. “Porque é que não se reagiu à instalação de geradores espanhóis tão próximos do parque? E porque é que nós não podemos colocar juntos desses”, questiona Jorge Nunes.
A proposta de ordenamento foi discutida, na passada sexta-feira, numa sessão pública promovida pela Assembleia Municipal (AM), que reuniu autarcas e representantes de diversas entidades dos concelhos de Bragança e Vinhais. “Continua tudo na mesma, mas iremos fazer aquilo que estiver ao nosso alcance para defendermos os interesses da população”, garantiu Luís Vale, da Comissão de Acompanhamento do PO do PNM e deputado do Bloco de Esquerda na AM.