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Família resiste em Cavages

Ter, 11/09/2007 - 10:10


Com o nascimento de duas crianças, a população de Cavages, anexa de Vale de Janeiro (Vinhais), aumentou para seis habitantes. Longe vão os tempos em que se contavam uma dúzia de residentes e se deslocavam sete alunos à escola de Vale de Janeiro.

Actualmente, resiste, apenas, uma família naquele lugar, que insiste em viver em comunhão com a natureza e não troca o sossego do campo pela agitação da cidade.
“Fui aqui nascida e criada. Sempre vivi aqui. Tive 12 filhos e foi em Cavages que criei 10, mas só um é que ainda vive cá”, afirma, com alguma mágoa, Durbalina dos Anjos, habitante na aldeia.
Aos 90 anos, esta moradora lamenta a partida dos mais novos e recorda, com nostalgia, os tempos em que Cavages tinha mais vida. “Os mais velhos foram morrendo e os novos não quiseram ficar cá. Só fiquei cá eu e o meu filho e agora também estão cá a minha neta, o meu genro e dois bisnetos pequenos”, sustenta.
A persistência desta família é a salvação da aldeia, que tem visto o fim adiado, ano após ano. Durbalina dos Anjos não gosta de falar na partida, mas admite essa possibilidade, caso o filho decida ir embora.
Já Liliana Martins, de 24 anos, afirma que vai deixar Cavages quando o filho mais velho (de 3 anos) atingir a idade para frequentar o 1º Ciclo. “Tenho pena de deixar isto, mas tenho que pensar no melhor para os meus filhos”, acrescenta.
Após uma viagem de cerca de 5 quilómetros por um caminho de terra batida, em que a sombra dos pinheiros atenua o calor de uma tarde de Verão, avistamos esta aldeia mítica, assinalada por uma placa que sugere novos tempos. Mesmo assim, a pequena distância entre Vale de Janeiro e Cavages parece ter dezenas de quilómetros, dada a precariedade dos acessos.

O arranjo do caminho em terra batida é o único pedido dos habitantes que resistem em Cavages

Aliás, o arranjo do caminho é uma das reivindicações da população, que se vê obrigada a lutar contra o pó, no Verão, e contra a lama, no Inverno.
“Há algumas pessoas que vêm até ao rio Tuela, que passam aqui na aldeia, mas, como o caminho está mau, muitos já não vêm”, lamenta Liliana Martins.
O silêncio é interrompido pelo canto dos pássaros e é ao som do chilrear que esta habitante “debaga” feijões para garantir o sustento no rigoroso Inverno. “Sempre trabalhei no campo. Cheguei a ir para o monte com as cabras quando estava grávida”, desabafa a jovem mãe.
Durbalina dos Anjos recorda os tempos árduos em que se deslocava a Vale de Janeiro por um caminho de bois com os filhos ao colo para ir à missa. Ainda hoje, o correio tem que ser levantado na freguesia, dado que na pequena localidade existe, apenas, um amontoado de casas, a maioria em ruínas.
Com electricidade, televisão e telemóvel, os habitantes que resistem nesta aldeia reclamam, apenas, o arranjo do caminho para que o fim desta localidade continue a ser adiado.