Ter, 04/09/2007 - 10:52
Apesar de ser uma raça oriunda de Trás-os-Montes, os bovinos mirandeses estão espalhados por várias explorações de norte a sul do País, estimando-se que haja cerca de 1.700 vacas fora do solar, que comporta mais de 4.000 animais.
Apesar desta expansão, a região transmontana tem assistido a uma diminuição do efectivo animal, em parte por culpa da estrutura fundiária existente. No espaço de um ano, perderam-se cerca de 350 vacas reprodutoras.
“Antes, uma exploração com uma dezena de animais era suficiente para sustentar uma família. Agora, é preciso ter no mínimo meia centena de animais para haver rentabilidade, uma situação que não acontece devido às pequenas parcelas de terreno para pasto e produção de forragens para alimentar as explorações pecuárias,” explicou o secretário técnico da Associação de Criadores de Raça Bovina Mirandesa, Fernando Sousa.
Apesar desta situação, os produtores de gado afirmam que o Governo deveria apoiar mais nesta raça, já que é de crescimento lento e não de lucro imediato.
Carne mirandesa perde terreno para carcaças espanholas, mais baratas e mais disponíveis
A carne de bovino mirandês esta na base da famosa “Posta à Mirandesa” que é considerada a embaixadora da cozinha nordestina. Apesar da qualidade, por vezes há dificuldades em abastecer o mercado que se encontra em expansão fora das fronteiras do solar.
“No Verão, ao contrário do Outono e Inverno, a produção não chega para a procura. Contudo, somos a segunda estrutura pecuária a colocar carne certificada de uma raça autóctone”, explicou Fernando Sousa.
No entanto, o consumo de carne de bovino mirandês está diminuir na área do solar, em resultado da entrada de carne espanhola a preço mais baixo no mercado.
Quanto à criação de uma unidade de transformação e embalamento de carne, enchidos e pré – cozinhados em Vimioso, os projectos estão a avançar.
Segundo o responsável, prevê-se que o licenciamento da nova unidade industrial seja aprovado até ao final do ano, sendo que o arranque das obras está previsto para a Primavera de 2008, com prazo de execução de um ano.



