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Pontes

Ter, 28/08/2007 - 14:31


Houve um tempo em que se construíam pontes sem acessos. Portugal era “o bom aluno” da União Europeia, que injectava milhões e milhões de contos para infra-estruturas nos doze estados-membros de então. Corria o ano de 1991, em pleno calor das eleições legislativas, e este rectângulo à beira mar era apelidado de oásis da Europa.

Havia que fazer crer que o País estava a crescer e nada melhor do que betão armado para mostrar que o progresso tinha chegado para ficar. Barcelos foi apenas uma das localidades que assistiu à inauguração duma ponte sem acessos sobre o rio Cávado. Eram outros tempos. Já lá vão quase 20 anos, é certo, mas um cenário quase idêntico está prestes a repetir-se na fronteira de Quintanilha. A nova ponte sobre o rio Maçãs está praticamente pronta, mas só abrirá dentro de um ano, devido à falta de acessos do lado espanhol.
Espanha, tantas vezes considerada um exemplo, está a cometer os mesmos erros de Portugal nos tempos áureos da revolução do asfalto.
E, pior do que a falta de acessos, é o perfil da estrada no outro lado da fronteira. Enquanto o Estado português aposta num corredor preparado para auto-estrada, “nuestros hermanos” ficam-se por duas faixas de rodagem, com uma via em cada sentido. Ou seja, quando a chamada “Auto-Estrada Transmontana” chegar a Quintanilha poderá encontrar um estrangulamento, caso o governo espanhol não avance com uma via de perfil idêntico até Zamora. Sabe-se que esta rodovia está nos planos do governo de Zapatero e, ao ritmo que Espanha constrói auto-estradas e linhas de Alta Velocidade, não seria de admirar que 2012 marcasse a união dos dois países num corredor com duas vias em cada sentido.
Eis uma boa forma de Espanha compensar Portugal (e os próprios espanhóis) pelos atrasos nos acessos à ponte de Quintanilha.