Ter, 28/08/2007 - 11:04
“Quando comecei a vender nas feiras com a minha mãe tinha uns 7 ou 8 anos. Mais tarde, decidi dedicar-me a uma coisa que já sabia fazer”, salienta a comerciante.
Jacinta Gabriel ainda esteve emigrada em França, mas quando regressou à sua terra natal não quis baixar os braços e apostou no negócio. Primeiro abriu um comércio na cidade, mas, com o passar dos anos, os hábitos foram mudando e o movimento foi fraquejando.
“Quando comecei tinha muitos clientes, mas com a abertura dos hipermercados as vendas foram baixando e comecei a fazer as feiras”, explica.
O gosto pela venda ambulante levou esta bragançana a fazer as feiras da região, numa altura em que o negócio ia de vento em popa. “Antes vendia-se bem, mas agora as feiras são muito paradas. No mês de Agosto ainda é quando se vê mais movimento”, realça Jacinta Gabriel.
Apesar da crise, a feirante afirma que o gosto pela profissão e o facto de se manter ocupada lhe dão forças para continuar. “Há feiras em que não compensa sair de casa, mas temos que ir senão há outros feirantes que ocupam o nosso lugar”, justifica, acrescentando que gosta de montar a tenda sempre o mesmo espaço.
Negócio e gosto pela profissão levam comerciante a deslocar-se de feira em feira
Ser simpática e conversar com os clientes é o segredo desta tendeira para conseguir sucesso no negócio. “Muitas vezes falar com o cliente é uma boa forma de vender. Há pessoas que vêm do cimo ou do fundo da feira comparar aqui os artigos”, acrescenta.
Durante os 24 anos que leva nesta profissão, também foi aprendendo alguns truques, que, por vezes, levam as pessoas a comprar. “Não leve o menino a chorar, veja melhor os brinquedos”, diz a feirante a uma cliente que passava com uma criança.
Bragança, Vinhais, Vimioso e Izeda são as feiras eleitas por esta comerciante. “Nunca fui para longe, prefiro fazer as feiras aqui da região. No Verão aproveito para fazer algumas romarias, também”.
O facto de ser mulher nunca foi um obstáculo para esta comerciante. “ Levo o carro para qualquer lado. Agora tenho andado com o meu filho, mas antes ia sozinha, montava a tenda e fazia tudo”, salienta.
O negócio também não interfere na vida doméstica de Jacinta Gabriel, que afirma conseguir conciliar as duas coisas. “Nos dias que não tenho feiras faço a lida da casa. Quando vou para fora deixo as coisas adiantadas no dia anterior e já posso chegar mais tarde”, revela a comerciante.



