Ter, 28/08/2007 - 11:00
Regresso para falar do IP2 que nunca mais vê o seu fim no nosso distrito. Parece impossível que uma estrada estruturante como esta e absolutamente fundamental para esta região nunca mais fique concluída. Julgo que é mais do que tempo de a acabar e, já que esperámos tanto tempo pela sua conclusão, que a façam com perfil de auto-estrada, com pelo menos quatro faixas de rodagem em toda a sua extensão.
O Itinerário Principal nº 2 (IP 2) pretende ligar Faro, Beja, Évora, Estremoz, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Vila Nova de Foz Côa, Bragança, até à fronteira do Portelo. Com alguns troços já com perfil de auto-estrada, todo o itinerário tem vindo a ser beneficiado nos últimos anos, e devo acrescentar muito lentamente. Sendo comum ao traçado do IP4 desde a sua articulação em Macedo de Cavaleiros, tem ainda incompleta a totalidade do percurso nesta região, faltando a ligação Bragança - Portelo e o seu prolongamento até Puebla de Sanabria, em Espanha onde se deverá estabelecer a ligação com a auto-estrada das Rias Baixas. Com este itinerário completo, a região beneficiará de um excelente e rápido acesso ao litoral, já utilizado nas deslocações para o Minho e para a Galiza e até para a região do Alto Tâmega.
Além desta via devemos preocupar-nos com as ligações a todos os concelhos do distrito. Veja-se as estradas que nos ligam a Freixo de Espada à Cinta e a Mogadouro por exemplo, ainda levamos muito tempo para lá chegar, com o desgaste que isso nos causa. Para um carro ligeiro, a situação, embora não seja de todo confortável, é aceitável, mas se pensarmos num grande camião carregado de mercadorias, a realidade é bem diferente e por vezes bastante perigosa.
Não há dúvidas de que tem havido melhorias significativas a nível das estruturas rodoviárias, no entanto não são suficientes e as assimetrias ainda são muito marcadas, mesmo dentro do distrito.
Todos somos unânimes ao dizer que esta região tem muitas potencialidades a nível turístico. Todos pugnamos para atrair mais gente à região. Todos queremos o melhor para nós e para os nossos familiares e necessitamos de trabalho e condições mínimas de conforto. Julgo que é desejo de todos nós poder viver na terra onde nascemos e usufruir dela sem saudade no olhar.
Continuamos a ter de sair para outros países e para o litoral. Não temos emprego suficiente para os nossos jovens. A discriminação positiva tão apregoada pela Comunidade Europeia não se verifica em Portugal. “Os dinheiros” que deveriam ser aplicados aqui, na região mais pobre da Europa, são utilizados noutras regiões para outros fins que não o aproximarem-nos do nível de desenvolvimento da restante Comunidade e, até mesmo, do nosso litoral.
Portugal é um pequeno país, membro da Comunidade Europeia, ao qual se exige boas condições de vida e igualdade de oportunidades para todos os seus habitantes. É necessário acabar com esta grande dicotomia interior/litoral. Todos devemos ter as mesmas condições de vida, independentemente de termos o mar à porta, um souto de castanheiros, uma vinha na região vitivinícola do Douro ou vivermos dentro de um parque natural. Enfim, o que desejo é que tratem esta região com a dignidade que ela merece.
Seguindo a máxima “Vá para fora cá dentro”, resolvi dar um passeio por alguns monumentos nacionais, entre os quais destaco o Mosteiro da Batalha que considero uma jóia arquitectónica de extrema beleza que infelizmente estamos a deixar degradar, por causa dos milhares de automóveis que todos os dias passam nas estradas que o cercam. É altura, antes que seja tarde demais, de tomar uma atitude. Tem de haver maneira de minimizar os estragos da vida moderna. Talvez um túnel seja uma solução. É necessário, ainda, fazer alguma coisa em relação a todos os restaurantes e lojas que o cercam e não o deixam respirar. Aquele espaço merece um maior desafogo, a exemplo do que se fez em Alcobaça.
Este nosso país necessita de ser tratado de igual forma em todas as suas regiões, independentemente do número de pessoas que as habitem. Deve ser um todo harmonioso e justo que nos permita viver onde desejarmos sem termos de abandonar as nossas raízes.
Marcolino Cepeda



