Ter, 07/08/2007 - 11:58
Na realidade, António Costa e o PS reivindicam a vitória da Câmara de Lisboa e têm todo o direito de o fazer. Tiveram mais votos e maior percentagem. No entanto, 29,5%, parece uma percentagem ridícula para quem ganha alguma coisa! De facto, num panorama de 100%, ter 29,5%, é estar longe de qualquer vitória! Não tem maioria e isso já é redutor, o que faz com que Costa tenha que se coligar com outras forças, para conseguir levar o barco a algum lado.
Por outro lado, o PSD e Negrão, receberam uma derrota, é verdade. Mas cabe aqui outra questão: Porquê? Mérito do PS, ou displicência do PSD? Se olharmos para os resultados, com olhos de ver, reparamos que Carmona, como independente, teve 16,7% e ficou em 2º lugar, o que lhe dá uma vitória em relação à aposta que tinha para Lisboa e para com os lisboetas. Eles acreditaram. Quem não acreditou foi o PSD. Se o PSD tivesse acreditado, teria possivelmente ido buscar estes quase 17% mais os 15,7% de Negrão e ganhava a Câmara sem problemas, com cerca de 33%. É curioso, mas já é a segunda ou terceira vez que isto acontece ao PSD. Talvez a culpa seja do seu líder que não quer ver algumas realidades dentro do seu próprio partido. Isto dá que pensar, realmente.
Por outro lado, Helena Roseta fica em 4º lugar ao arrepio do PS, o que espelha identicamente uma postura do partido. Igualmente errada, a meu ver, pois se estes 10,2% de Roseta se juntassem aos 29% de Costa, o PS poderia ter ganho a câmara com 39,7%.
No entanto se olharmos de uma outra forma para os resultados ainda temos uma outra conclusão. É que, a soma dos resultados dos candidatos independentes é cerca de 33%. Um resultado interessante para quem assume uma candidatura independente e ao arrepio dos seus próprios partidos.
E assim sendo, quem ganhou realmente a Câmara de Lisboa? O PS? Os Independentes? Para António Costa governar vai ter efectivamente de se coligar com um independente e talvez mesmo com Helena Roseta, engolindo assim um enorme sapo! Paciência! Culpa de Helena ou do PS?
Curioso é também o facto de haver políticos que se demitiram dos seus cargos, só porque não ganharam a câmara ou não obtiveram os votos que esperavam! Sinceramente! Parece uma novela!
Mas há outra questão paralela a tudo isto. Não se percebe que razões levaram António Costa ou o PS, a levar para a sede de candidatura, um autocarro de pessoas de Cabeceiras de Basto!?
Na verdade, quando questionadas algumas pessoas dentro da sede de candidatura de António Costa, sobre o que pensavam destas eleições, elas disseram: "- Não sei. Somos convidados. Viemos todos juntos." Isto é, no mínimo, curioso. Tanto mais curioso quanto os lisboetas nem sequer estavam preocupados com as eleições da sua própria câmara! Enfim!
Finalmente, eu não consigo entender o porquê de tanto discurso partidário numas eleições intercalares para uma única câmara!? A sua importância é deveras muito relativa e os resultados são tão anódinos quanto a sua significância. De facto, como já disse, não houve maioria de ninguém e os mais votados (!) para governar, têm de se coligar com independentes, apesar de não gostarem muito! Todo este tempo de campanha, fomos inundados com ditos e contos, com apostas e promessas. Candidatos por todos os cantos de Lisboa, apontando erros e faltas existentes, para que todos os portugueses ficassem a saber o que se passa na velha capital! Todos os dias! E no dia de eleições, fomos bombardeados, em todas as estações de televisão, com discursos de todos os cantos partidários, até à hora da vitória final. Francamente! Até parecia dia de eleições legislativas! E para quê? Pretendiam dar algum recado aos lisboetas? Pois se foi essa a intenção, não sei quem ouviu. Dois terços dos lisboetas estiveram de costas voltadas para este acto eleitoral. E porquê? Simplesmente, porque nenhum dos candidatos lhes mereceu a consideração necessária e de que estavam à espera, para justificar o tempo que iriam perder para votar. E tiveram razão!



