Ter, 17/07/2007 - 10:23
Perdida entre as elevações montanhosas de Montes Forca da Velha, Lagareira, Logarinhos e Forca Nova, a freguesia conta com cerca de 240 habitantes, mas no século XIX chegou a ter 1358 habitantes. Nessa altura era vila e sede de concelho, independente judicialmente e com pelourinho, sendo por isso, considerada uma povoação muito antiga.
O seu Castelo, actualmente em ruínas e praticamente irreconhecível, deve-se à posição estratégica que Mós assumiu na época da formação da nacionalidade, uma vez que se localiza próximo da raia espanhola.
Fora dos muros da fortificação, foi construída, no século XVI, a igreja de Santa Maria, que se impõe pelos seus altares riquíssimos, em talha dourada, pinturas no tecto do altar-mor e arcos e púlpito em granito.
Actualmente, o adro do templo está a ser alvo de estudos por parte do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), uma vez que no exterior foram encontradas sepulturas antigas. “Quando estavam a começar as escavações para a recuperação do muro do edifício foram encontradas campas, pelo que o IPPAR nos mandou parar com os trabalhos enquanto não se estudassem os achados arqueológicos”, informou o presidente da Junta de Freguesia de Mós (JFM), Paulo Bento.
Segundo o autarca, as sepulturas encontradas pertencem a pessoas que foram enterradas no terreno envolvente à igreja, à semelhança do que acontecia antigamente, um pouco por toda a região. “Os técnicos dizem que a igreja era mais pequena e, à medida que foi ampliada, cobriu as sepulturas. Por isso, só foram descobertas agora”, referiu o responsável.
Autarca pretende implementar roteiros turísticos, de modo a dinamizar a localidade
Nos dias de hoje, o passado histórico de Mós mantém-se, mas a riqueza do património vai-se perdendo aos poucos, à semelhança da população. Para tal, o autarca pondera criar roteiros turísticos, de modo a dinamizar a localidade e dar a conhecer o vasto património e vestígios históricos. “O ideal seria implementar percursos pedestres, aproveitando os locais de interesse da freguesia e, a partir do turismo, dinamizar e trazer mais vida à aldeia”, realçou Paulo Bento.
Além do Castelo e da igreja de Santa Maria, os visitantes podem conhecer a calçadas de Mós, que integrava, originalmente, a rede viária de Vila Velha de Santa Cruz. Com cerca de 700 metros, o troço tem sido, também, vítima do passar do tempo e da degradação.
Paulo Bento pretende, ainda, que o roteiro turístico passe pela Ferraria da Chapa Cunha, constituída pelas ruínas de uma antiga fábrica de ferro. “Dizem que foi a primeira ferraria da região ou, mesmo, da Península Ibérica, pelo que seria interessante divulgá-la”, sublinhou o autarca.




