Ter, 03/07/2007 - 11:23
Obviamente este facto deve encher-nos de orgulho e deveria contribuir para atrair mais pessoas à região, o que esperamos sinceramente que aconteça.
No entanto o facto de ser uma cidade de excelência para se viver, não é suficiente para segurar e trazer pessoas. Faltam muitas coisas, algumas que nos roubaram já lá vão alguns anos como o comboio por exemplo.
Falta-nos uma boa rede de vias de comunicação como os itinerários principais, itinerários complementares e auto-estradas. A ligação à Puebla de Sanabria e consequentemente à auto-estrada das Rias Baixas é uma obra importantíssima, assim como é fundamental a construção dos parques eólicos e a barragem do Rio Sabor.
Somos o único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada. Todos sabemos que se houver boas vias de comunicação e bons meios de transporte há condições para que o investimento aconteça. Veja-se o caso de Vila Pouca de Aguiar, uma região que até aqui não beneficiava de grande desenvolvimento e que agora, depois da construção das duas auto-estradas que por ali passam começa a ser atractiva para os investidores.
Estamos tão perto da Europa e os nossos governantes não querem que tiremos partido dessa proximidade, talvez por sermos interior, montanha, fim de mundo para quem vive em Lisboa. “Ui, Bragança é tão longe!” “Onde fica Bragança?”
Existe um desconhecimento muito grande do nosso próprio país. É incrível a nossa falta de cultura nacional. É necessário sermos mais ciosos do que é nosso. Portugal é um pequeno país e nem mesmo os portugueses o conhecem.
Apostar num aeroporto regional com capacidade para servir também as regiões limítrofes espanholas é muito importante para toda a região.
Somos esquecidos e estamos quase abandonados à nossa sorte. De que nos adianta vir um primeiro-ministro dizer-nos que a inauguração de um troço de auto-estrada que liga Viseu a Chaves, é uma mais valia para nós transmontanos se não acrescenta nada de novo ao nosso isolamento? Diz ele é agora é que vai ser, que é desta que Portugal vai discriminar positivamente o distrito de Bragança com a construção da auto-estrada Vila Real – Bragança.
Pergunto eu: Há quantos anos nos prometeram o IP4 e o IP2? Segundo palavras dos políticos seriam essas obras que desencravariam esta região e colocariam Bragança no mapa. Qual mapa? No mapa do descontentamento? Do esquecimento?
Verifica-se que todas as regiões do país bem servidas ao nível das acessibilidades atraem investimentos que criam empregos e melhores condições de vida e consequentemente prendem populações e atraem novas gentes. Veja-se o caso da instalação da fábrica do IKEA em Paços de Ferreira.
E veja-se o caso do distrito de Bragança. Apetece, quase, passar a fronteira e pedir que nos incluam no país vizinho. Seríamos, com certeza, melhor tratados do que somos no país que amamos mas que não nos ama a nós.
Marcolino Cepeda



