Ter, 03/07/2007 - 10:45
Com cerca de 60 habitantes, já em tempos recuados aquela aldeia se assumia como um local de passagem, uma vez que, segundo documentos históricos, se “apresentava como uma espécie de ermitério – estalagem ou centro de apoio aos peregrinos que por ali passavam com destino a Santiago de Compostela (Espanha)”.
Trindade era, antigamente, um sítio da Ordem de Cister, dependente do Mosteiro do Bouro, daí a construção, numa época medieval, de uma igreja matriz tão grandiosa que, já naquele tempo, servia os fiéis que por ali passavam.
Povoamento da Trindade é, talvez, anterior ao século XII e ocupava o extremo norte das terras da “Valarissa e Ledra”
Na fronteira dos concelhos de Alfândega da Fé, Mirandela e Macedo de Cavaleiros, Trindade ocupava o extremo norte das terras de “Valarissa e Ledra”, sendo que o povoamento do seu território deverá ser anterior ao século XII.
A cerca de 17 quilómetros da sede de concelho, a freguesia deve o seu nome ao orago paroquial, a Santíssima Trindade. Antigamente, fazia-se a procissão que reunia população de Valbom e Macedinho, anexas da Trindade, que iam atrás dos andores de São Gregório e Santa Maria Madalena. Nesse dia, os mais pequenos celebravam a primeira comunhão, enquanto que os crescidos aproveitavam a caminhada para namorarem.
As festas da Santíssima Trindade, no 8º domingo depois da Páscoa, continuam a celebrar-se e assumem um carácter religioso. No entanto, antigamente, estas manifestações de fé serviam, também, como ponto de encontro a nível agrícola, uma vez que ali se realizavam muitas contratações de mão-de-obra para trabalhos rurais.
Segundo relatos, carpinteiros de outras localidades aproveitavam para expor e vender carros de bois, tirando partido da centralidade da aldeia.
Actualmente, a população dedica-se, maioritariamente, à agricultura e à produção frutícola. Contudo, o cultivo de cereais foi, em tempos, uma das actividades mais praticadas pelos habitantes da Trindade. “Devido às reformas no sector agrícola, esta produção deixou de ser rentável e foi abandonada”, justificou Alípio Fernandes.



