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No fim da linha

Ter, 26/06/2007 - 10:40


Como é habitual por esta altura, as aulas chegam ao seu final e os alunos que se prepararam para o exame final estão agora a prestar contas dessa preparação. É normal.

Este ano foi, como todos sabemos e recordamos, um ano para esquecer. Na verdade, as alterações introduzidas pela senhora ministra de educação ao longo de todo o ano, levou a que durante o ano se assistissem a algumas greves dos professores e dos alunos em protesto contra as tomadas de posição completamente arbitrárias.
Os sindicatos de professores bem tentaram impor a sua vontade e negociar alterações, mas pouco conseguiram perante a rigidez férrea da senhora ministra que, por trás de um ar inocente, conseguiu ser suficientemente dura e implacável para manter a sua vontade.
Os professores, sem serem ouvidos e completamente ignorados nas suas pretensões, tiveram de se sujeitar a todas as alterações de horários impostas mesmo sem se olhar aos direitos adquiridos. Uma completa injustiça acompanhada de uma prepotência há muito impensável. Tudo isto foi acompanhado de um mal-estar terrível por parte dos professores e alunos, principalmente estes últimos que se viram obrigados a permanecer nas salas de aula quando o professor da disciplina faltava, esperando por um professor substituto. Mas para substituir o quê? E como? Um conjunto de ideias avulsas que deveriam funcionar como um jogo de peças de encaixe, mas que nunca conseguiam encaixar!
Chegado ao fim o presente ano lectivo, resta agora saber como é que os alunos conseguiram ultrapassar esta crise que lhes foi imposta pelo próprio Ministério da Educação. Sim, porque dos alunos, o Ministério da Educação nunca se lembrou, pelo menos com a preocupação que pretendeu deixar passar para os encarregados de educação. Deu a impressão que a única preocupação da senhora ministra era pôr os pais contra os professores e quase o conseguiu num momento ou noutro. Felizmente, alguns pais também são professores, embora se tenham lembrado disso um pouco tarde! Nessa altura as cedências tiveram o seu protagonismo e algum resultado se tirou para bem dos sindicatos e dos professores!
Quase no final do ano, a senhora ministra tirou mais um coelho da cartola e lançou um método para dividir os professores. Durante anos e anos, os sindicatos lutaram para acabar com as carreiras paralelas dos professores e ter uma só carreira. Agora vem a senhora ministra acabar com a democracia e novamente dividir os professores, criando a classe dos professores e dos professores titulares! Se a classe dos professores já não era muito unida, então agora já não digo nada! De facto o que se pretende é mesmo dividir os professores e fomentar dentro das escolas e dos agrupamentos as inimizades, o mal-estar e a desistência dos que agora estão a começar a sua carreira no ensino. Dividir para reinar! O ditado é velho, mas certo.
Então no meio desta barafunda, será que os alunos ainda conseguiram aguentar? Será que ainda chegaram ao final do ano com ânimo para estudar o suficiente para encarar os exames? As notas ainda não saíram e não sabemos quais serão. Os exames, parece que foram um pouco mais fáceis, o que nos faz supor que foi um presente para colmatar as peripécias passadas. Vamos a ver quais as notas nas principais disciplinas e qual será a reacção da senhora ministra.
Uma coisa é certa. Nestes últimos anos o Ministério da Educação tem-se preocupado em publicar o ranking das escolas nacionais, após os exames. Este ano, será que também o vai fazer correndo o risco de ser enxovalhado se os resultados não forem o que esperam? Na verdade, até podem publicar o ranking das escolas e fazer brilharetes dizendo que as escolas particulares tiveram grande sucesso e continuam a ficar em primeiro lugar, mas se o fizerem e for essa a situação, então que se lembrem das tropelias que impuseram aos professores e alunos durante o ano, transmitindo incertezas e alterações no modus faciendi das aulas e da orgânica interna das escolas. E que digam igualmente, que as escolas estatais não conseguem ter as condições de algumas escolas particulares, faltando muito coisa, por culpa do ministério, mas essencialmente, segurança dos professores, paz interna, estabilidade e dignificação da classe docente.
Este ano chegou ao fim. Mas não se pense que foi o fim de uma contenda vertical. Não. Foi o fim de um ano lectivo. Simplesmente! O próximo trará certamente outros motivos para estudar, outras propostas para equacionar, outros problemas para resolver. E os alunos? Será que para o próximo ano lectivo, os alunos serão um peso a ter em conta? Esperemos que sim.
E não venha o senhor Primeiro Ministro gabar-se novamente sobre o ter conseguido pôr computadores nas escolas para todos os alunos, gratuitamente! É que ainda não chegaram às escolas essas máquinas prodigiosas, nem foram cedidas aos professores ao preço de 150 euros cada, como apregoa! Será que se esgotaram antes de serem distribuídos? É que em tempo de contenção… nunca se sabe!?!