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As Sete Duvidosas Maravilhas

Ter, 26/06/2007 - 10:39


A eleição das Sete Maravilhas de Portugal, que se realiza no próximo dia 7 de Julho, à “boleia” do grande evento a nível planetário, de onde irão sair as Sete Maravilhas do Mundo, à semelhança do que aconteceu recentemente com a escolha do melhor português de sempre, é, em minha opinião, um acontecimento que não pode ser levado a sério.

Penso que todos estaremos de acordo que a relativa importância deste passa – tempo (só assim pode ser entendido) se deve ao facto da abordagem dos objectos a considerar, os monumentos, não ser feita por pessoas de reconhecido mérito nas áreas da Arquitectura, da Arqueologia ou da História D’Arte, porque capazes de fazer uma análise cuidada e rigorosa das realidades em questão, que lhes permite argumentar, com conhecimento de causa, o porquê das suas escolhas ou rejeições. Ou seja, as Sete Maravilhas de Portugal – o mesmo se aplica às do Mundo – vão ser escolhidas, hierarquicamente, segundo um processo dúbio, em que os participantes manifestam as suas “tendências” através de SMS ou por correio electrónico, num acto deliberadamente irracional, num misto de coração e bairrismo; o que, obviamente, reduz uma ideia que poderia ser interessante a uma banalidade sem conteúdo.
É evidente que se os critérios de selecção se baseassem em pressupostos sérios e credíveis, como os atrás referidos, tanto o Castelo de Bragança, como a Domus Municipalis, figurariam, não tenhamos dúvida, entre os primeiros. Mas como estamos condicionados pelos irremediáveis constrangimentos da Interioridade, a Domus Municipalis, por exemplo, modelo do século XIII, e único em toda a Península Ibérica, que obedece, em termos de construção, aos cânones da arquitectura civil românica, e que nos mostra como o sistema social e político da época se organizava, nem sequer consta dos 21 monumentos pré – seleccionados.
Quanto ao Castelo, a situação encerra, igualmente, laivos de bizarria: construído no início do século XV, durante o longo reinado de D. JoãoI, é, provavelmente, no que concerne aos aspectos estético e arquitectónico, o mais belo, esplendoroso e altaneiro de todo o reino, e com a particularidade de resumir muitas das memórias e da identidade desta nação com mais de 8oo anos de história. No entanto, este ex libris de Bragança não se inclui nos 77 monumentos mais votados da primeira triagem.
Para termos a noção de como o estatuto de Maravilha é falseado neste jogo, é recorrer ao exemplo – não único - do Palácio de Mateus, que faz parte do “invejável” grupo restrito dos tais 21. Só poderá admitir que o orgulho dos vilarrealenses é mais importante do que qualquer um dos monumentos da cidade de Bragança, quem, na verdade, for tocado por sentimentos e motivações bairristas.
Embora a proporção seja inflacionada pelo exagero próprio do entusiasmo do acto de escrever, e porque, numa relação de grandeza, só se deve comparar o que é comparável, imaginemos que se sufragava, com vista à atribuição do grau de importância de cada um, entre a mais caricata e singular das rotundas de Bragança – aquela que se situa à saída do túnel – e o simbólico asinino erigido no centro da aldeia de Aveleda. Sem provocar, julgo eu, qualquer tipo de estranheza, não pela beleza ou pela funcionalidade da “peça” concebida, mas pela grande diferença do número de participantes do “acto eleitoral”, a obra da sede de concelho arrebatava o primeiro lugar.
Para concluir este breve comentário, fiquemos com uma certezas que, enquanto bragançanos, nos pode aliviar e servir de consolo.tanto em relação à Domus Municipalis como ao Castelo, por serem preciosidades inamovíveis, existem garantias de que não vão sair de Bragança.