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Mofreita quer energia eólica

Ter, 26/06/2007 - 10:16


Para os cerca de 40 habitantes que resistem na Mofreita (Vinhais), no coração do Parque Natural de Montesinho (PNM), a instalação de um parque eólico na freguesia é uma mais-valia para a economia local.

Com as torres da serra da Culebra (Espanha) a cerca de três quilómetros, os habitantes de Mofreita não compreendem porque é que o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade coloca tantas restrições do lado português.
“Do lado de lá da fronteira também é uma área protegida e lá não há o perigo de estragar a natureza, porque é que aqui já são prejudiciais?”, questiona Mário Pires, residente naquela localidade.
Esta indignação é partilhada pela maioria das pessoas que vão resistindo no PNM, que vêem a instalação de parques eólicos como uma fonte de rendimento que poderá revitalizar as aldeias e inverter a galopante perda de população.
Na Mofreita ficaram, apenas, as pessoas idosas. A população activa partiu para Bragança à procura de emprego e as más acessibilidades resultaram na sua fixação na capital de distrito. Hoje resta, apenas, uma criança de 11 anos na aldeia que só encontra companhia para brincar ao fim-de-semana e no Verão, alturas em que aqueles que partiram regressam às origens.
A castanha e a pecuária são as principais fontes de rendimento de quem vive na Mofreita e possui os terrenos inseridos no PNM. Os agricultores afirmam, mesmo, que o facto de pertencerem a uma área protegida só lhes traz restrições. “Não temos benefícios nenhuns. Ainda temos é que cumprir a regras que nos impõem, pois até implicam por cortarmos um carvalho naquilo que é nosso”, lamenta Nuno Rodrigues, habitante da aldeia há 70 anos.

Más acessibilidades contribuíram para a desertificação de Mofreita, que aprecia, agora, os encantos da natureza

O presidente da Junta de Freguesia da Mofreita, Mário Gonçalves, está do lado da população e afirma que Portugal devia seguir o exemplo do país vizinho no que diz respeito à energia eólica.
“Na minha opinião, a energia eólica não é contra a natureza. É das energias mais limpas que temos”, salienta o autarca, acrescentando que irá ter um papel activo nesta questão.
Mário Gonçalves afirma que, se o Parque não autorizar a instalação de parques eólicos, terá que dar contrapartidas às populações, sobretudo ao nível económico.
“Assim não passamos de uns coitadinhos. Quem manda no País vê isto como uma colónia e não nos dão condições”, assevera o presidente da Junta.
Na óptica do autarca, as más acessibilidades são a principal causa da desertificação daquela localidade. “Se tivéssemos melhores acessos não tenho dúvidas que a aldeia teria mais gente”, garante.
Situada a cerca de 25 quilómetros da sede de concelho e a outros tantos da capital de distrito, Mofreita aguarda, ainda, pela construção do saneamento básico. “Não temos problemas de sanidade, mas, mais dia menos dia, vai ter que se fazer. Como temos pouca gente, vai sendo adiado”, afirma Mário Gonçalves.
Entre o património que pode ser visitado destaca-se o Convento das Religiosas Beneditinas, que se encontra em ruínas, a capela do Divino Senhor dos Milagres e a Igreja Matriz.