PUB.

Chega de lágrimas

Ter, 29/03/2016 - 15:06


Os europeus, todos, estamos a sujeitar-nos a uma humilhação que muitos sentimos ser inadmissível.
Alguns criminosos esbofeteiam-nos de forma descarada, matam-nos como gado e escancaram os sorrisos podres, de ratazanas da cloaca máxima do universo, refastelados nos nossos estados de direito democrático, conspurcando as instituições que foram concebidas para a elevação, mesmo dos ignaros, à condição humana.
Sobre a carnificina, servida ao ritmo de novela, choram-se lágrimas de terror, que dizem muito, sobre o que já conseguimos construir, apesar dos erros e omissões, que também nos acompanharam na costura do tempo.
Choramos de angústia, mas também de compaixão, mesmo por eles, bestas diabólicas, meticulosos cobardes ao serviço da ignomínia, traiçoeiros como as víboras que se dissimulam no deserto.
Mas, já é tempo de secarmos as lágrimas, respirarmos bem fundo, até à essência dos nossos valores e passarmos à acção, porque a nossa própria cobardia não resultará em benefício para o futuro.
Por isso, é preciso substituir as lágrimas, não pela raiva, mas pela coragem, sem tremeliques, que nos conduza a uma vitória firme e nos permita retomar a tranquilidade e a serenidade que conquistámos, com mérito, no contexto da humanidade.
O caminho pode ser dilacerante, mas é melhor arriscá-lo do que permanecer nesta morte lenta de leão velho, à mercê de todos os necrófagos da obscuridade.
Ou os europeus resolvem, de uma vez por todas, construir a Europa, ou os próximos milénios poderão reconduzir o planeta dos homens a novos infernos, eventualmente sem remissão. Enquanto dermos o espectáculo grotesco que flamengos e valões mostraram na última semana, enquanto determinados políticos de vários países europeus insistirem em culpar os seus concidadãos, em vez de assumirem claramente que os terroristas são os principais responsáveis pelo sangue que corre, suportados, é verdade, por manipuladores hipócritas que afectam querer a paz, a Europa continuará moribunda.
Precisamos de realismo na análise, para que tenhamos condições de nos fazer respeitar. É disso que se trata. Se olharmos, com olhos de ver, para a actual liderança turca, não podemos continuar a confundir o nosso tempo com a guerra fria e, muito menos, esperar lealdade daquele lado do Mediterrâneo.
Também precisamos de ter consciência que há ameaças evidentes a sul. Não podemos esquecer, apesar dos séculos, os ímpetos radicais dos Almorávidas e dos Almóadas, que ensanguentaram a Península Ibérica dois séculos depois da chegada do Islão. Hoje também há ameaças, curiosamente das mais intensas, vindas do Magreb e já não nos parece tão exótico que, nas mesquitas do Paquistão, se proclame o regresso ao Garb, o ocidente, a nossa terra.
Se continuarmos a encolher-nos e a chorar vão, provavelmente, realizar connosco o último holocausto, antes do apocalipse, de que aparentam ser os reais cavaleiros.   

Por Teófilo Vaz