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A Persistência nos Erros da Polis

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Por mais do que uma vez, publicamente, dei conta dos tiques megalómano de que são tomados os “donos” desta nossa urbe, na forma como, nos últimos (quase) 25 anos, a têm gerido. Um tema que, pela importância e seriedade que encerra (convém dizê-lo), jamais poderá estar associado a motivações partidárias, porquanto o interesse comum não deve ser posto à mercê dos caprichos de meia dúzia de pretensos iluminados. Como munícipe, tenho plena consciência de que governar a Polis não é tarefa fácil e, não raras vezes, não deixa de ser um acto de coragem, porque, como é costume dizer-se, o povo é difícil de contentar, pela razão de que, felizmente, nem todos gostamos do amarelo. No caso concreto de Bragança, nem sequer podemos invocar a máxima latina do “ gustus et colores non disputantur”. As sumidades que “pensam” a cidade partem do princípio errado de que infraestruturas como o túnel, o elevador da Praça Camões (que ninguém utiliza), o Mercado Municipal, o Centro Comercial e, entre outras aberrações, as escadas rolantes que ligam (vão ligar) o Largo S. João de Deus à Avenida Sá Carneiro, cujos custos de manutenção, segundo consta, vão rondar os 45 mil euros por mês), são fortes motivos de atracção turística. Estes e outros “elefantes brancos”, que só fazem sentido para quem, num estado de delírio, pensa que Bragança, como “grande metrópole” que é, tem de ombrear, em modernidade e exuberância, com as suas congéneres nacionais e estrangeiras. Porque, não nos esqueçamos, são aos milhares os voos chárteres vindos dos mais diversos pontos do planeta, que aterram anualmente no aeródromo de Bragança, trazendo turistas atraídos pelas deslumbrantes paisagens de betão! Numa clara inversão de prioridades - tendo em conta que o objectivo primeiro da governação duma autarquia é a prossecução de políticas que vão ao encontro (não de encontro/a) dos interesses dos seus munícipes, visando o seu conforto e bem - estar -, permito-me, como bragançano visceralmente ligado a esta linda cidade, deixar aqui umas dicas ao Dr. Hernâni Dias, por quem tenho simpatia e estima pessoal. À excepção de meia dúzia de “visionários”, que, infelizmente, decidem sobre os destinos da nossa cidade, todos estamos de acordo que Bragança tem o traço distintivo e singular da pacatez e da invejável qualidade de vida que lhe está associada. Como tal, quem nos visita (nacionais ou estrangeiros) não é por causa das excentricidades “dubaianas”, mas porque temos uma lindíssima paisagem, um património gastronómico de fazer água na boca, um conjunto de monumentos históricos de rara beleza, de que se destacam, entre outros, o imponente e altaneiro castelo e a Domus Municipalis, peça única da arquitectura românica peninsular. E que tal, Dr. Hernâni Dias, mudar a agulha, reforçando o nosso potencial turístico, numa perspectiva de complementaridade?! Experimente construir um teleférico que ligue o Santuário do S. Bartolomeu ao Castelo, com uma vista deslumbrante sobre a cidade. Uma obra que se pagaria a si própria, dentro de dois/ três anos (?), porque clientela não deveria faltar. Aliás, como se pode ver pelo exemplo dos passadiços do Paiva e pela maior ponte pedonal suspensa do mundo, aí construída, que atrai milhares e milhares de turistas. Estive lá em Junho. A travessia custa 12 euros por pessoa. Eu e os vinte e tal amigos que fazíamos parte da excursão, tendo viajado 400 quilómetros, ida e volta, não conseguimos bilhete para nos entregarmos a tal aventura. Faça-o, e vai ver que será a grande obra do seu consulado, aquela que deixaria, não tenho dúvidas, a marca indelével da sua passagem. Já agora, feche o trânsito automóvel nas ruas que dão acesso à Praça da Sé e à Avenida João da cruz, durante os meses de Maio, Junho, Julho, Agosto e Setembro, criando zonas de esplanadas, tanto nos passeios como nas ruas (como se faz lá fora ), para animar e revitalizar uma das zonas mais emblemáticas da cidade, completamente às moscas. E que tal fazer umas instalações sanitárias no Jardim da Braguinha, na zona de caravanismo em S. Sebastião e no parque de camionagem da Quinta da Trajinha, onde pernoitam os “camionistas da Faurecia”, que nem um reconfortante banho de água fria podem tomar?! É este o meu conceito de Polis. Espero ter dado o meu contributo para a mudança do chip, que tanto se reclama.

António Pires