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Os “ex” da República Portuguesa

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A República Portuguesa tem um novo Presidente que tudo indica será um Presidente diferente no estilo e sobretudo mais sóbrio nos gastos, nas pompas e nas circunstâncias porque menos gastador e mais afeiçoado ao país pequeno e endividado a que preside.
São agora quatro os ex-presidentes da República, vivos e de boa saúde, a quem assenta que nem luva o prefixo “ex“ porque se divorciaram dos valores da República, talvez embalados pelas quimeras monárquicas que ainda povoam o palácio de Belém.
Ex-presidentes que, além de outras regalias de Estado, têm direito a uma subvenção mensal vitalícia de 80% do salário do Presidente em exercício, ao uso de automóvel do Estado para seu serviço pessoal, com condutor e combustível e recebem ajudas de custo iguais às do primeiro-ministro.
Até aqui tudo bem, nada a obstar. Mal parecia que quem, bem ou mal, exerceu o mais alto cargo da Nação fosse deixado na penúria, a viver de esmolas, quiçá, ou a ter que recorrer a empregos em bancos ou empresas privadas, o que muito os desprestigiaria, o mesmo se não dizendo de muitos ex-ministros.
Acresce que os ex-Presidentes da República também têm direito a um gabinete de trabalho, no qual são servidos por um assessor e um secretário da sua confiança, sendo livres de escolher a categoria do imóvel em que se instalam, à medida da sua jactância.
Segundo o Diário de Notícias de 28 de Fevereiro passado, Mário Soares recebe uma renda mensal de 4300 euros pelo espaço alugado pela fundação de seu nome, Jorge Sampaio instalou-se na casa do Regalo, um palacete da capital, cujo restauro custou, nada mais, nada menos, que 746 mil euros e Cavaco Silva vai instalar-se no Convento do Sacramento, que para o efeito beneficiou de obras no valor de 500 mil euros.
Já Ramalho Eanes, o mais comedido, honra lhe seja feita, limitou-se a um espaço de 88 metros quadrados no centro de Lisboa, que apenas custa ao Estado 800 euros por mês, assim assumindo, com a dignidade que o caracteriza, o estatuto de ex-presidente.
Albarda-se o burro conforme a vaidade do dono, como se vê.
Mas aqui é que a dúvida se instala nos espíritos dos portugueses. Gabinetes para quê, perguntarão? Que funções e deveres os justificam? Que despacho oficial e que agenda pública os requerem?
Não são bons os exemplos que os ex-Presidentes da República legam ao país. Sobretudo quando há milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza.
Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico por vontade do seu autor.

Por Henrique Pedro