À caça com Leopard ou uma viagem de balão?

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As coisas que se dizem e se contam a propósito das políticas são verdadeiramente alucinantes. A verdade é que possivelmente o modo como nos referimos às notícias sobre o que vai acontecendo um pouco por todo o mundo, levam-nos a que aligeiremos a crítica e adicionemos uma pitada de doçura, de molde a que tudo se torne mais aceitável. Brincamos com as coisas sérias! De facto, no momento atual, vivemos num clima de guerra global e mesmo que não se ande aos tiros em todas as esquinas, nada faz esquecer a terrível realidade que se nos apresenta a cada dia que passa, desde a Ucrânia às ruelas de Olhão. A guerra da Ucrânia é um dos mais relevantes episódios que todos conhecem e que afeta todo o mundo. Sabemos disso e esperamos diariamente o momento em que a sensatez surja na cabeça de Putin e a guerra chegue ao seu final. Não será tão cedo. Os avanços que a Rússia tem protagonizado nos últimos tempos, têm encontrado a oposição possível do exército da Ucrânia que reclama por mais máquinas de guerra para fazer frente aos russos. Conseguiram movimentar os países do ocidente para que isso fosse possível, pelo menos no envio de Tanques Leopard 2, entre outro material de guerra. Entre os países que estão disponíveis para enviar esses tanques, está Portugal. Um país tão pequeno e com tão poucas possibilidades económicas, vai enviar Tanques Leopard 2 para a Ucrânia? Claro que sim. Quantos? Só 2. Temos 11 que não funcionam e 2 deles que vão ser reparados com material alemão para poderem servir o exército ucraniano. É triste, mas é verdade. Como não estamos em guerra com ninguém, não se percebe a razão para ter estes tanques tão sofisticados. E se os temos e não servem, será essa a razão do seu não funcionamento. Melhor que se enviem para a Ucrânia, realmente. O caso é que se faça tanto alarde com essa oferta e afinal não funcionem! Francamente senhor Costa! A Ucrânia acredita que com os Leopard 2 conseguem empurrar os russos e dar-lhe caça séria, mas o tempo que vão demorara a chegar ao teatro de guerra é demasiado e pode ser demasiado tarde. Mas também pedem aviões de combate F-16 que os EUA já disseram que não enviam. Isso seria acelerar uma guerra que poderia ser enorme e envolver mais países do que o desejável. Contudo, há países que aceitaram enviar aviões de combate, mesmo sem serem F-16. É uma caça aérea mais séria e que pode levar alguma contenção à Rússia. Entretanto, um pouco à margem da guerra, a Rússia e a Ucrânia trocam 179 prisioneiros. E para que servem os prisioneiros? Para nada. Funcionam temporariamente como troféus para troca futura. Antigamente, há muitos séculos, os prisioneiros tornavam-se escravos e com esse rótulo, trabalhavam em tudo o que lhes pediam. Assim se construíram muitas cidades, estradas e pontes por esta Europa fora e que agora, as guerras modernas se entretêm a destruir. Outros tempos! Não vai muito longe o tempo da guerra das estrelas e da tentativa do domínio do espaço, quer pela União Soviética, quer pelos EUA. Era um modo de defesa e uma tentativa de saber antecipadamente o que outras potências estavam a preparar secretamente. Foi uma guerra inútil aparentemente, embora os satélites tenham tido um papel importante, como foi o caso dos mísseis de Cuba, que quase davam lugar a uma terceira guerra mundial. Hoje, contudo, em vez de satélites, a China prefere os Balões. Quem diria? É uma novidade? Claro que não. Os balões antecederam os aviões, mas estes parecem balões de S. João. Será que os chineses se enganaram na festividade e anteciparam a data? Pouco provável, pois eles não têm S. João e os americanos também não. Pois parece que é mesmo uma subtileza de espionagem moderna. Os EUA abateram o Balão dizendo que foi uma violação inaceitável da soberania. A China reclama dizendo que os EUA violaram o direito internacional. Nem outra coisa era de esperar. Ninguém quer ficar com as culpas, mesmo quem as tem todas. O espaço de qualquer país não pode ser invadido, sem permissão, por terceiros, sem ser considerada uma violação de soberania. A questão está, segundo parece, na altitude em que se movimentava o balão, pois não está determinada a altitude vertical considerada pertença de um país. Normalmente considera-se que essa altitude vai até aos 20/30 Km, teto onde dificilmente consegue chegar um avião de guerra. A verdade é que nada está determinado sobre este assunto e a ser assim, o balão possivelmente, viajava dentro dos limites normais da ilegalidade, já que estava a cerca de 20Km de altitude, facto que permitiu o F-22 atingi-lo e destruí-lo. Viagem ou espionagem? À caça certamente.

Luís Ferreira