Balbina Mendes: Alma Mater!

Guerra Junqueiro, o Poeta que, um dia, partiu de Freixo de Espada à Cinta para o Mundo, lembrou-nos que a grandeza de uma Pátria é associada aos Homens de Cultura. Para ilustração de pensamento, esgrimava, para além de outros argumentos, que ninguém dizia que pertencia à “Pátria de Burnay”, mas sim à Pátria de Herculano, ou de Quental. Balbina Mendes encarna, com afinidade e natural justiça, essa mensagem Junqueiriana que, diga-se, faz tão bem à nossa vaidade pátria… Mais. A singularidade e a força da obra de Balbina Mendes, nasce, desde logo, num detalhe: as origens. Palavra de transmontano! Balbina Mendes pertence a este naco de terra, onde as fragas são lavadas pelo Douro, e um outro idioma foi resistindo pela vontade dos Homens. Essa circunstância, porventura limitadora, não a fraquejou! A sua obra sublime, por sê- -lo, ultrapassa, com cores fortes, o espírito redutor e tão português com que, assaz se cataloga o que é ou não relevante, em função da geografia… Não é o caso, não foi o caso, o que se louva, para bem, também, da nossa vanglória geográfica! A este propósito, não resisto, em modo provocação suave, lembrar o que, com ironia endógena, contou um dia o Professor Adriano Moreira: um transmontano, quando não acompanhado por outros transmontanos, deve evitar dizer que o é, porque os “outros” podem ficar com inveja! Orgulhamo-nos da obra evolutiva de Balbina Mendes. Um brio verdadeiro, sólido como uma fraga, mas elegante, porque não somos petulantes! Porque é tão forte a obra de Balbina Mendes, pese embora o regionalismo marcante da sua inspiração? As tradições, as particularidades mais campestres, as paisagens únicas, estão, ad initium, na sua pintura. Sem esquecer, obviamente, o estoicismo no trabalho Margens Douro Nascente Foz, que encerra em si uma dimensão ibérica. So quite so simple: ao regionalismo soube dar-lhe linguagem global, sem que daí adviesse adulteração para a raiz da obra. Assim se cria, com mestria, uma pintura com poesia, porque, em cada tela, lê-se a alma de um Povo, que é parte de nós, e ao fazê-lo, eleva- -se com simplicidade e nobreza o que nos reporta para a essência: tudo nasce numa terra com carácter.

João Paulo Castanho