Utente da ULS do Nordeste espera cirurgia para resolver incontinência há quase dois anos
Há utentes da Unidade Local de Saúde do Nordeste que aguardam cirurgia de incontinência urinária pelo menos desde o início da pandemia, em Março do ano passado. Maria do Amparo é um desses casos. Em Dezembro de 2019, fez os exames necessários para fazer a operação, mas poucos meses depois, já em tempos de pandemia, recebeu uma carta que a alertava para a falta de redes suburetrais necessárias para resolver a incontinência e, por isso, a solução passaria por ser operada noutra unidade hospitalar do distrito. O receio de que a operação pudesse correr mal, por não conhecer o médico que a iria operar, decidiu recusar. “Recebi uma carta para a ir fazer no hospital particular, só que eu não aceitei. Primeiro, vai ser o médico que me tem seguido se for aqui em Bragança, daí eu não ter aceitado porque não conhecia os médicos nem o hospital”, contou. Entretanto passaram quase dois anos e continua sem a cirurgia marcada. Actualmente tem 71 anos. Voltou a fazer os exames e está agora, novamente, à espera. “Fi- -los agora, recentemente. Estão outra vez feitos e o médico disse para aguardar. Se forem eles, aqui na ULS, tudo bem. Se não for e não tiverem as bandas, terá de ser noutro lugar e eu tenho de aceitar porque quanto mais tempo estiver, pior”, afirmou. Contactada a Unidade Local de Saúde do Nordeste explicou que o atraso destas operações, consideradas “não prioritárias”, prende-se “com o dispositivo utilizado, pois a empresa fornecedora das redes suburetrais utilizadas descontinuou a sua produção” e que “está a ser desenvolvido o procedimento com vista à aquisição de novos dispositivos para retomar a actividade cirúrgica nesta área”. Acrescentou ainda que “os doentes com intervenções em lista de espera continuam a ter resposta no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente através de vales cirúrgicos”.
