Protesto contra a violência obstétrica levantou cartazes em Bragança

Ter, 08/11/2022 - 12:15


Mães queixam-se de práticas durante o parto que dizem já não ser aconselhadas

Várias pessoas protestaram, este domingo, contra a violência obstétrica em todo o país e em Bragança não foi excepção. O objectivo foi alertar para os direitos na gravidez, no parto e no pós-parto e abordar práticas que dizem ser desaconselhadas. Segundo a representante no distrito do Observatório de Violência Obstétrica em Portugal, entidade organizadora dos protestos, “há evidência científica de práticas que já não deviam ser feitas e continuam a ser feitas e em Bragança não é uma excepção”. “Ainda há bastantes queixas, mesmo a Manobra de Kristeller (prática de pressionar barriga para facilitar o parto) que já é desaconselhada e continua a ser feita. Continuamos a ter mulher a parir na posição que sempre foi feita, que estão deitadas e restritas aquela posição, mas está provado pela evidência científica que a mudança de posição promove a que haja um parto em que seja mais fácil a saída da criança e em que se evita que haja a episiotomia (corte na vagina)”, referiu Elza Vaz, salientando que há “casos e casos”, mas em “muitos não é estritamente necessário adoptar medidas tão invasivas”. O plano de parto e a preparação dos hospitais para o porem em prática é outra das lutas. Elza Vaz disse que ainda há hospitais no país que “não estão preparados” para executar um plano de parto e que há mulheres que não estão informadas sobre este direito. “Isto não é uma luta contra os profissionais de saúde, nós temos profissionais muito bons, que se regem pelas boas práticas, pela evidência mais recente, o que nós queremos é que não sejam a excepção, mas a norma”, frisou. Marlene Pereira foi uma das mães que levantou o cartaz em modo protesto na Praça Cavaleiro Ferreira. Há seis anos teve o seu primeiro filho na maternidade em Bragança e diz ter sofrido de violência obstétrica. Entrou em trabalho de parto de madrugada e foi para o hospital, mas o companheiro foi impedido de entrar. “Deixaram-me sozinha num quarto toda a noite, pedi epidural três vezes e não ma deram. Quando fui vista pelo obstetra de manhã não tive qualquer tipo de apoio para ir para a sala de observações, tive que ir sozinha, e o meu filho nasceu 10 minutos depois de ser vista”, contou. Queixou-se ainda de não ter sido informada sobre os procedimentos adoptados durante o parto. “Foi- -me dada uma epidural ou anestesia local para eu não sentir dores, sem me explicarem que eu ia deixar de ter qualquer tipo de movimento, que eu não ia conseguir sentir o bebé sair, não ia conseguir força. Só me diziam que eu não estava a fazer bem a força, o médico empurrou-me a barriga, aquilo que já é desaconselhado, que é a Manobra de Kristeller, e fizeram-me uma episiotomia sem qualquer tipo de consentimento”, disse. Por isso, decidiu ter o segundo filho, há cerca de um ano, em Famalicão, numa maternidade pública, onde disse ter tido uma experiência “totalmente diferente”. “Eu acho que acima de tudo havia muita confiança das parteiras na fisiologia do parto”, frisou. “Esta é a luta que vos pariu” foi o mote para os protestos que aconteceu, no domingo, em todo o país.

Jornalista: 
Ângela Pais