PUB.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que regadio é o futuro da agricultura no Nordeste Transmontano

PUB.

Ter, 13/07/2021 - 11:23


Afilhado de Camilo de Mendonça, Marcelo Rebelo de Sousa não faltou às comemorações do centenário do nascimento do transmontano responsável pelo desenvolvimento da agricultura e indústria no Nordeste Transmontano

Camilo de Mendonça nasceu em Vilarelhos, no concelho de Alfândega da Fé, foi agrónomo, político e o impulsionador da construção do Complexo Agro-industrial do Cachão, em 1962, e de algumas barragens no Nordeste Transmontano. Em sua homenagem foram realizadas conferências e visitadas barragens e o Presidente da República não quis faltar. “Ele viu aqui em Trás- -os-Montes, com o projecto do Cachão, aquilo que era, mesmo na Europa, muito avançado. Há 60 anos criar a mudança que ele quis criar na agricultura, ligar a agricultura à indústria, criar novos canais comerciais, fazer isto longe de Lisboa, sem vias de comunicação, num regime de ditadura, em condições económicas e sociais muito diferentes das de hoje, foi excepcional”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa, que no seu discurso o caracterizou de “adiantado mental”, por todo o trabalho que desenvolveu com um pensamento muito além daquela época. A ministra da Agricultura também acompanhou o chefe de estado e aproveitou para avançar que serão disponibilizados 700 milhões de euros, de fundos comunitários, para aproveitamentos hidroagrícolas, como o da Camba, no concelho de Alfândega da Fé, inaugurado recentemente. Marcelo Rebelo de Sousa fez suas as palavras da ministra e destacou que a revitalização da agricultura no Nordeste Transmontano passa pelo regadio. “O que se trata agora, num futuro próximo, e até na utilização de fundos europeus, é de apostar em aproveitamentos hidroagrícolas e na importância da água para Trás-os-Montes. O regadio é fundamental para a nossa agricultura e essa é uma posta de futuro como era vista de futuro há 60 anos”. Cerca de 60 anos depois da criação do Complexo do Cachão são agora poucas as empresas que ainda se mantêm. A sua reactivação é há muito pedida pelos transmontanos. O Presidente da República não deixou certezas, mas referiu que “o que seja possível fazer, em tempos diferentes, em condições diferentes, para pegar na mesma ideia que é puxar pelo Nordeste Transmontano e criar fórmulas de criação de riqueza e de justiça social, deve ser feito”. “O problema é que ainda temos desigualdades muito grandes territoriais e não podem haver portugueses de primeira ou de segunda, ou de terceira e isto aplica-se também às desigualdades sociais todas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua passagem pelo distrito de Bragança, nesta sexta-feira, o Presidente da República esteve também em Macedo de Cavaleiros, onde agradeceu àqueles que continuam a seguir os passos de Camilo de Mendonça. Passou ainda por Vilarelhos, no concelho de Alfândega da Fé e pela barragem do Peneireiro, em Vila Flor, uma das barragens mandadas construir por Camilo de Mendonça.

Jornalista: 
Ângela Pais