Ter, 03/03/2026 - 12:14
O polo é o único desta natureza no distrito de Bragança e pretende aproximar o ensino superior da população
Abriu portas, na semana passada, em Alfândega da Fé, o Polo de Cultura e Ciência da Universidade Aberta, o único desta natureza no distrito de Bragança. A estrutura, conforme foi dito na quarta-feira, na sua inauguração, pretende alargar a oferta de ensino superior na região e reforçar a qualificação da população, através de um modelo assente no ensino à distância e na dinamização cultural e científica.
O projeto resulta de um protocolo entre o município de Alfândega da Fé e a Universidade Aberta e integra um “plano de ação com duração de dois anos, para 2026 e 2027”, que “cruza cultura, ciência, educação e formação”, conforme clarificou António Moreira, diretor do Polo de Cultura e Ciência de Alfândega da Fé.
Sublinhando que a inauguração “marca apenas o início de um trabalho mais amplo”, António Moreira esclareceu que “há agora um plano de ação muito ambicioso para cumprir”.
O projeto faz parte de um conjunto de três polos inaugurados pela Universidade Aberta em 2026 e, segundo António Moreira, reúne condições para ser bem-sucedido. “Tem todos os atores muito envolvidos. Não é só a Universidade Aberta que quer que este polo seja um sucesso, o município também quer muito”, destacou.
Ensino superior sem sair de casa
Um dos principais objetivos passa por aproximar o ensino superior de territórios onde não existem instituições universitárias presenciais. “A Universidade Aberta dá uma nova oportunidade a quem interrompeu os estudos para poder reingressar no ensino superior sem sair de casa. É a universidade que vai à casa das pessoas e não as pessoas que se deslocam à universidade”, salientou, destacando que, através de plataformas digitais e ambientes virtuais de aprendizagem, o conhecimento pode chegar “a qualquer habitação, desde que haja conectividade”.
Entre as primeiras iniciativas previstas estão o Seminário Internacional de Ecologias Educativas e a primeira Escola Doutoral de Primavera, que decorrem entre 29 de abril e 1 de maio e vão trazer investigadores ao concelho para três dias de “imersão académica e científica”.
Segundo António Moreira, poderão ser ainda criadas condições para apoiar financeiramente investigadores, incluindo propinas, alojamento e alimentação, permitindo que estes se dediquem a tempo inteiro à investigação. “Queremos perceber onde estão os jovens investigadores que não têm atividade profissional e, através dessa bolsa, que possam desenvolver a sua tese e trazer à superfície a riqueza cultural de territórios como Alfândega da Fé, que muitas vezes vivem uma certa invisibilidade”, referiu.
Investigação ligada ao território
Associada ao polo está a Cátedra Mestre José Rodrigues, que reforça a vertente académica e de investigação. A estrutura pretende articular educação, ciência e cultura, promovendo teses de mestrado e doutoramento relacionadas com a vida e obra do escultor e com temas ligados ao território.
Para o responsável, os próximos dois anos serão também um exercício experimental para avaliar o impacto do cruzamento entre cultura, ciência e educação no desenvolvimento local.
Capacitação e fixação de talento
Considerando que o novo polo é “um passo importante para a região”, o presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, sublinhou que o principal impacto esperado é a capacitação da população. “Quanto mais formação os nossos jovens e menos jovens tiverem, melhor será a sua adaptação aos desafios do desenvolvimento socioeconómico do concelho e da região”, rematou o autarca.
O município vai ainda associar-se ao projeto através da criação de apoios específicos para estudantes que se inscrevam no polo. Estão previstas bolsas que poderão “assegurar o pagamento integral das propinas”, não apenas para alunos do concelho, mas também para jovens de outros territórios que optem por estudar em Alfândega da Fé e “utilizar o espaço para aulas, exames e trabalhos académicos”.
Prémio Mestre José Rodrigues
Segundo destacou Eduardo Tavares, será ainda criado o Prémio Mestre José Rodrigues, com duas vertentes, “uma escolar, dirigida aos alunos do Agrupamento de Escolas de Alfândega da Fé, desde o ensino básico ao secundário, e outra académica, destinada a investigadores e estudantes do ensino superior”.
O objetivo é “incentivar o estudo e a divulgação da vida e obra do escultor”, natural do concelho, e “promover investigação sobre a história e o património da região”. “Queremos criar um vértice de grandes momentos à volta deste escultor, entre o Porto, Vila Nova de Cerveira e Alfândega da Fé”, afirmou Eduardo Tavares.
O protocolo que deu origem ao polo “foi assinado em abril do ano passado”, durante o Fórum Internacional de Estudos Globais realizado no concelho. Após a preparação do espaço e a definição do plano de atividades, o projeto está agora de portas abertas.
Jornalista:
Carina Alves


