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SAUDINHA

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O maior erro do Governo da Nação, no campo da Saúde foi, sem dúvida, a dispensa de Fernando Araújo de diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, levada a cabo pela ministra Ana Paula Martins que, curiosamente, foi a primeira escolha daquele para presidir aos destinos do Hospital de Santa Maria. Foi um erro técnico por ter afastado da administração pública alguém competente, com vastas provas dadas na presidência do Conselho de Administração do Hospital de S. João do Porto tendo sido substituído por quem mal aqueceu o lugar, infelizmente depois de ter travado a remodelação em curso exonerando gestores hospitalares, a torto e a direito, antes de completarem sequer um ano de mandato, mas, igualmente, um erro político pois sinalizou uma partidarização no topo de uma das mais importantes áreas da governação e, sobretudo, porque os esperados bons resultados seriam capitalizados pelo atual governo e, os maus, se, quiçá, os houvesse, seriam creditados à gestão anterior. Os problemas e dificuldades crescentes, desde logo no topo do SNS e do INEM vieram demonstrá-lo, penalizando o Executivo de Montenegro. Por alguma razão a ministra da saúde esteve, persistentemente, na lista dos governantes remodeláveis. Porém. Os caminhos que conduzem a um determinado ponto, raramente são únicos e dificilmente se pode saber, de antemão se, não sendo os mais curtos, serão os mais eficazes. Há, no nosso país, duas conceções sobre a natureza do Serviço Nacional de Saúde, ambas legítimas. Uma que se foca na sua natureza advogando a condição de ser total e exclusivamente público por entender que é uma condição necessária para cumprir a sua função, de forma transparente e democrática; e outra, concentrando o foco na sua função, preconizando uma estrutura mista, complementando um núcleo estatizado com as contribuições dos setores privado e social que, em cada momento, contribuam para a disponibilização de um serviço de qualidade, universal, mas que tenha o menor custo possível para o contribuinte. Seguramente que o atual governo advoga esta última, ao contrário do anterior. Será que Fernando Araújo, tendo desenhado a estratégia sob a égide do governo PS teria a flexibilidade para a adaptar à nova abordagem governativa. Ou, inclusive, se teria sido possível estender a sua atuação durante o tempo suficiente para minimizar a perturbação da sua substituição, que, sendo expectável, se concretizou. Dificilmente os contratempos e distúrbios sofridos pelos utentes serão justificados pelas esperadas melhorias que já vão sendo anunciadas e haverão de ser repetidas e enfatizadas, nos tempos mais próximos, por razões óbvias. De qualquer forma o Diário de Notícias, na sua edição de 21 de março titulou na primeira página que estão a diminuir, nas urgências, quer os tempos médios quer o número de utentes. Poucos dias antes o Jornal Público trazia para a primeira página que o tratamento de doentes em casa permitiu uma poupança superior a três milhões de euros. E esta, sendo uma notícia complementar da anterior, traz consigo um potencial de enorme impacto pois os desenvolvimentos atuais da Inteligência Artificial aplicada à medicina trazem, precisamente neste segmento, grandes avanços e prometem muitos mais e maiores. Estou certo que esta será uma área de grande aposta para governo que sair das próximas eleições, seja ele qual for.

José Mário Leite