561 anos de Bragança

Ter, 25/02/2025 - 12:29


Cidade é a nona mais antiga do país e completou mais um ano no dia 20

A nona cidade mais antiga do país, Bragança, celebrou, na quinta-feira da semana passada, 561 anos. O ponto alto da festa de aniversário da capital da sub-região das Terras de Trás-os-Montes foi no próprio dia de aniversário, 20 de fevereiro, no teatro municipal, onde o município, numa sessão solene, distinguiu 12 personalidades que, em diversas áreas, se têm distinguido pela contribuição positiva e enriquecedora para a terra.

A melhor padeira do mundo

Elisabete Ferreira, que nasceu em França, mas, ainda criança, veio para Gimonde, no concelho de Bragança, foi a grande distinguida na noite de festa. Padeira há mais de 30 anos, Elisabete Ferreira foi considerada, em outubro, a melhor padeira do mundo, pela União Internacional de Padeiros e Pasteleiros. Foi agraciada em Veneza e, agora, ser reconhecida na terra onde vive e trabalha tem um gosto muito especial. “Isto enche-me de orgulho. Estou muito honrada. Nada mais me orgulha poder receber uma distinção em Bragança, depois de ter recebido em Itália um reconhecimento tão importante”, referiu. O município de Bragança atribuiu a Medalha Municipal de Mérito a Elisabete Ferreira, que foi a primeira mulher que recebeu o prémio União Internacional de Padeiros e Pasteleiros. A padeira tem corrido o mundo, em formação e em trabalho, mas leva as origens aos cantos que corre. “Sempre que vou para fora faço questão de mostrar a minha cidade, a minha aldeia, para que as pessoas também vejam as coisas boas que o Interior tem e que cada vez mais temos coisas melhores. Quanto mais viajo, mais gosto de onde estou, mas claro que é importante viajarmos para percebermos o que é que nós temos”, rematou, assinalando que o Interior nunca lhe roubou oportunidades, bem pelo contrário.

Vida por vida

Carlos Martins, comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, também foi distinguido na cerimónia. Tendo sido 2º comandante durante 15 anos, Carlos Martins foi agraciado na categoria Cidadania, Solidariedade e Valores Humanos. Com 30 anos de carreira, diversas formações e certificações e várias medalhas e condecorações, ser homenageado pelo município é um “reconhecimento importante” do trabalho feito. Mas Carlos Martins não olha para a distinção de forma individual. “Eu posso ser a imagem ou até a ponta da lança daquele corpo de bombeiros, mas eu não seria nada, nem seria reconhecido, se não tivesse todas aquelas mulheres e homens a fazer o trabalho que fazem, diariamente. Esta distinção vai inteiramente para eles e para as famílias deles, porque são elas que mais sofrem com as nossas ausências”, frisou Carlos Martins, que disse que, tendo em atenção que os seus elementos “dão tudo por tudo para que as pessoas possam ser socorridas e possam ser reconfortadas nos momentos de maior perigo e aflição”, é uma distinção “merecida”. O comandante é uma das figuras mais acarinhadas na cidade e, claro, se olhar para a distinção a título individual fica, obviamente, agradado. “Chegar aos 47 anos e ser reconhecido desta forma é, sem dúvida, um orgulho para mim, para os meus filhos, para a minha esposa e para toda a minha família”, frisou.

O homem do entretenimento e das gentes

Nicolau Sernadela tem 55 anos e há 35 que dá vida ao “Tio João”, num programa radiofónico matinal. O locutor da Rádio Brigantia passa duas horas diárias a fazer companhia a várias centenas de pessoas, muitas delas com alguma idade e que têm no programa uma verdadeira companhia. Os ouvintes telefonam-lhe e partilham, no ar, o dia-a-dia, as histórias de vida, as amarguras e também os momentos felizes. É uma família gigante, que não conhece barreiras geográficas, como o locutor descreve. Nicolau Sernadela é brigantino e “apaixonado” pela cidade. Assim, a distinção, na categoria Cultura, Arte e Património, soube-lhe bem. Mas também sabe que não é apenas dele. “É um honra, nos 561 anos da cidade, ser homenageado. Nunca tive de sair de Bragança para ser quem sou e esta distinção não é só minha, é de milhares de pessoas que fazem de mim quem sou, que ganharam uma família com a rádio”, vincou o locutor.

Mulher comunicadora de ciência

Ivone Fachada não é de Bragança mas tem a cidade no coração por ter sido a casa que acolheu por quase 30 anos. A ex-diretora do Centro Ciência Viva de Bragança foi agraciada na categoria Educação, Ciência e Novas Tecnologias. “É um grande orgulho. Bragança é uma cidade que faz parte da minha memória e da minha vida. Foi uma cidade que me acolheu a nível pessoal e profissional, foi aqui que aprendi tudo o que sei sobre a minha profissão, ser gestora de ciência, e foi aqui, também, que me formei”, rematou Ivone Fachada, que deixou a cidade, no ano passado, para rumar à capital, a fim de integrar a direção da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, com sede no Pavilhão do Conhecimento. Trabalhar tantos anos no Interior também não foi impedimento para chegar ao cargo que hoje tem. “Eu comecei no centro de Bragança mas o Interior não é limitativo para se realizarem grandes projetos como aqui se fazem”, terminou.

Mais para Bragança

O presidente do município, Paulo Xavier, salientou que é preciso recordar o passado, viver o presente mas ter os olhos postos no futuro. Por isso, o autarca espera, nos próximos anos, ver Bragança “dinâmica, mais moderna e com mais investimento”. “O grande desígnio do futuro é fixarmos a população e estamos a trabalhar, todos os dias, na parte económica para que isso seja uma realidade. Estamos direcionados e com muita força na área social, na área cultural, onde temos um peso enorme, na economia, no desporto e na regeneração urbana. Queremos a cidade mais pujante e que atraia investimento”, esclareceu o presidente. A noite de festa terminou com o concerto de “Amália Hoje”, composto por músicos dos The Gift e Moonspell.

Jornalista: 
Carina Alves