PUB.

Três décadas em família todos os dias

PUB.

Ter, 29/10/2019 - 10:24


Bom dia familiazinha!

Salve o dia 29 de Outubro de 1989, às 6:00 horas da manhã! Faz hoje precisamente 30 anos que, sem querer, me transformei de Nicolau Sernadela em Tio João. Ninguém dava duas coroas por mim, mas revolucionei a maneira de fazer rádio. Abri o microfone e dei um bom dia tão grande que fiz tremer os receptores. Como sou gago, cantarolava para iludir a gaguez e comecei a baptizar todos os participantes como tios e tias, primos e primas. Instituí a rádio família.

No início da minha carreira de animador de emissão como Tio João ainda poucas casas particulares tinham telefone e muitas pessoas tinham de se dirigir aos postos de telefone públicos para participar. Em contrapartida, recebia centenas de cartas por semana de pessoas que se queriam apresentar e falar um pouco da sua vida, assim como mostrarem os seus dotes poéticos e musicais. Algumas cartas chegavam apenas com o destinatário “Tio João”, escrito no envelope. Ainda guardo a sete chaves centenas dessas cartas. Ao longo destas três décadas, muitos foram os que envelheceram connosco, porque aqueles jovens que participaram no início, são agora avós. Tenho que agradecer às centenas daqueles que ainda escutam e participam no programa desde o início, não esquecendo aqueles a quem Deus já chamou e nos levaram no coração.

Em Setembro de 1990 realizámos o primeiro Piquenicão, na Senhora da Hera, em Cova de Lua. No mesmo ano tivemos o primeiro Magustão na “Precinorte”, actuais instalações do NERBA, que coincidiu com o dia de S. Martinho. Desde então e até à data, muitas já foram as localidades por onde passámos, nomeadamente, Terroso (Bragança), Tuizelo (Vinhais), Coelhoso (Bragança), Carrazedo de Montenegro (Valpaços), Chãos (Bragança) e, nos últimos sete anos, em Vinhais, na Rural Castanea, pois temos muitos amigos que nos dizem “onde havemos de fazer o Magustão que nos dêem mais, senão no maior assador de castanhas do mundo em Vinhais!?”.

Esta festa do Magustão é a mais próxima do aniversário da família e ano após ano esperamos por este dia para poder cativar mais amigos e para convivermos uns com os outros, porque se é bom viver, o melhor é conviver. A nossa gente gosta muito de um bailarico e por isso os artistas do povo, com as suas concertinas, realejos e acordeões, o organista Francisco Cubo e as Concertinas Brigantinas, estiveram no passado Domingo a animar mais um Magustão, em Vinhais.

Ao completarmos 30 anos de existência, a nossa família vai de vento-em-pôpa, porque cada vez há mais gente com o ‘bichinho’ da família. Este mês já vamos com 35 novas apresentações, sendo a maior parte de camionistas das linhas internacionais que, graças às novas tecnologias, nos ouvem enquanto conduzem, participando e dando-nos boleia. Nos últimos dias apresentou-se um casal de Guimarães. Conduzem os dois o mesmo camião e, por isso, há onze anos são marido e mulher a tempo inteiro, pois andam sempre juntos. Também temos tidos apresentações de talentos no mundo dos instrumentos musicais, como é o caso do tio Jecas, das Arcas (Macedo de Cavaleiros).

Com a ajuda da chuva que tem caído nos últimos dias, o que tem pingando dos castanheiros é o abono de família das nossas gentes, prevendo-se um bom ano de castanha. Segundo os homens do tempo, a chuva vai continuar a fazer-nos companhia nos próximos dias. É bom para ver se as nossas barragens, rios e ribeiras recuperam a água perdida.

Na última semana festejaram as Bodas de Diamante (60 anos de matrimónio) o tio Manuel e Ana Fidalgo, de Vale da Porca (Macedo de Cavaleiros)e o tio Neca Gaiteiro e esposa, de Romariz (Vinhais), que nos brindou nesse dia com uma modinha tocada na sua gaita-de-foles, em directo para o programa.

Nos últimos dias festejaram o seu aniversário connosco Manuel Afonso (76), de Vale Verde (Bragança); Maria Luís (44) e o seu irmão João Luís (42), de S. Julião de Palácios (Bragança); Manuel Cabral (95), de Bragança; Donzília das Dores (67), de Casas da Estrada (Alijó); Hugo Miguel (37), de Coelhoso (Bragança) e Rosa Maria (49), de Bragança. Que para o ano sejamos todos vivos para lhos festejarmos outra vez.