Os “escritórios” da terra

Ter, 23/05/2017 - 11:08


Olá familiazinha! Já estamos no meio da segunda quinzena do mês de Maio, já só falta cerca de um mês para o grande piquenição. Temos o programa de rádio que festeja a vida. Diariamente o meu João André (ministro dos parabéns) festeja o aniversário da nossa família pois canta e toca os parabéns. Na semana passada e pela primeira vez assinalou os anos à mãe e filha que nasceram no mesmo dia. Se isso não bastasse, a filha, Sofia Gabriel, fez 25 anos e a sua mãe Ana Marques 25 ao contrário, ou seja 52 anos, são filha e neta da nossa tia Geninha, da Paradinha Nova, Bragança.
Sou oriundo da cidade mas casei na aldeia, lido com pessoas rurais diariamente e fui ver “como estava a papelada nos escritórios rurais tirei umas fotografias e conversei com a nossa tia Sarinha de Caravela. Aquilo que eu consegui aprender numa hora!

 

Para preparar a terra e depois semear os renovos cava-se a terra à mão, com a ferramenta adequada, ou em hortas maiores com a ajuda de tracção animal. Para semear os hortos temporões (ou seja os de cedo) as latas, quintais ou cortinhas, como são conhecidos nalguns sítios, deve-se preparar a terra no início do inverno, ficando o estrume a cozer na terra alguns meses, para depois fazer as ditas sementeiras ou seja os renovos. Em sítios com rega é aconselhável o estrume de ovelha ou cabra e onde não tem rega o estrume de vaca é muito bom. Em geral, nas terras não se deve semear o mesmo todos os anos. Se um ano semeamos batatas no ano seguinte semeamos abóboras ou milho... porque aprendemos dos nossos pais e avós que fazendo assim a produção era mais abundante. Diziam também os mais antigos que a terra onde era semeado o milho, devia ficar um ano em repouso, pois o milho é o fruto que mais escraviza a terra.
A batata, por exemplo, tem várias sementeiras: as temporãs que lá para o mês de Junho já se arrancam e outras, que ainda vão ser semeadas, para serem arrancadas nos fins de Setembro e se terem batatas boas até mais tarde.
No horto da tia Sara já há desde ervilhas, acelgas, alface, favas, alhos, cebolas, tomates, pimentos, cenouras, curgetes, alho-porro, batatas, milho e abóboras. E agora vamos lá a manter as hortas com a” caneta de dois bicos” para tudo estar sem as tão conhecidas ervas daninhas e pôr em uso algumas mezinhas caseiras, que são feitas com ingredientes naturais e dão o mesmo resultado que os produtos comprados em lojas especializadas. Além da vantagem de custarem muito menos, pelo tipo de ingredientes que são usados para produzir um herbicida caseiro, não são nocivos como os produtos químicos e têm muito bom resultado.
A água da cozedura das batatas com casca, que é usado como substituto do herbicida e o vinagre também tem o mesmo efeito. Vinagre com água ou água com detergente da louça servem como insecticida. A cinza da lareira como desinfectante da terra e para ficar mais fofa.
Aqui fica a receita de um herbicida: ponha 5 litros de água a ferver, deite um quilo de sal grosso e mexa bem para que se dissolva por completo na água. Com a mistura ainda no lume, acrescente um copo grande de vinagre e mexa bem. Faça isso por alguns minutos para ter certeza de que os três ingredientes ficaram muito bem misturados. Apague o fogo e deixe arrefecer. E pronto! Acabou de fazer um herbicida caseiro! Mas, atenção, essa mistura só pode ser usada, para que seja eficaz durante uma semana.
O trabalho que a terra dá para saborear produtos biológicos!