Carolina dá voz a Amália

Ter, 30/05/2017 - 14:32


Olá familiazinha! Depois de um fim-de-semana com muitos eventos na nossa região e também duas grandes concentrações de pessoas, na festa de Nossa Sr.ª da Ribeira, em Quintanilha e o encerramento do mês de Maria, no Santuário dos Cerejais, em Alfândega da Fé, estamos a fechar o mês de Maio, o famoso mês das flores.
Na semana passada apresentámos aqui os escritórios da terra e foram muitos aqueles que nos falaram em directo dos seus escritórios. Uma dessas conversas foi com a tia Neves, de Nuzedo de Baixo, enquanto semeava os “mal unidos”, os “mal dispostos”, os “biciclistas” ou “chícharos”. Nunca me passou pela cabeça que o feijão frade tivesse tantos nomes!
Na segunda viagem que realizámos a Lisboa, fez parte do grupo a nossa tia He­lena, da Aveleda (Bragança), mãe da fadista Carolina, que veio almoçar connosco e, à noite, fomos nós a assistir ao musical “Amália”, onde ela brilhou com a sua voz.
Neste número vamos conhecer um pouco melhor a Carolina, publicando parte da sua biografia.
Na última semana tivemos três aniversariantes, a tia Helena, de Alfaião (Bragança) que fez um século de vida, a nossa menina especial Maria Helena, de Vilarandelo (Valpaços), que festejou os seus 47, o nosso patrocinador, Rui Santos, das Ópticas Transmontana, que fez 42 anos e o tio Manuel Teixeira, de Montesinho, que fez 72 anos. Para todos muita vida.

Transcrevemos aqui parte da biografia da fadista transmontana:
Carolina nasceu em Hamburgo (Alemanha) a 12 de Abril de 1984 e veio para Portugal com apenas 5 meses, mais propriamente para Trás-os-Montes na localidade de Aveleda, onde teve muito cedo o seu primeiro encontro com o Fado. O pai de Carolina ensinara-lhe fados como o célebre “Rua do Capelão” e a mãe cantava-lhe músicas do cancioneiro português.
Com 10 anos, Carolina mudou-se, com a família, para o Porto, onde passou toda a sua juventude. A menina que gostava de Fado, gostava também de Teatro, de fantoches, de “mundos do faz-de-conta” e todas as brincadeiras estavam sempre ligadas às artes. Nesse mesmo ano a madrinha inscreveu-a no Coro Infantil do Círculo Portuense de Ópera. Estreou-se no mesmo ano como Amahal, na ópera de Gian Carlo Menotti, no Teatro Nacional Carlos Alberto, pela mão da Professora Palmira Troufa, que a acompanhou durante 11 anos.
Aos 15 anos, frequentou um curso técnico-profissional de Design tendo vindo posteriormente a frequentar Artes Plásticas-Escultura, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Ao mesmo tempo estudava Canto no Conservatório. Quase que se antevia a escolha.
De Amália recorda-se igualmente de dois discos marcantes, “Amália no Café Luso” e o “Busto”, que a mãe comprou poucos dias depois de Amália morrer e que Carolina lhos “roubara” para os escutar vezes sem conta. Foi Amália que a cativou, rendendo-se assim ao timbre, beleza e modo de cantar da fadista. O grande salto viria a ser dado pouco depois – respondendo ao desafio de uma amiga – numa noite de Fado, realizada num bar do Porto (Pop), onde cantou os únicos três fados que sabia de cor impressionando todos os presentes. Por ali conheceu também António Zambujo, Miguel Araújo, entre outros. Foi nesse preciso momento, com 18 anos, que decidiu começar a cantar.
Curiosamente é também nessa altura que é convidada a integrar o elenco de uma das melhores casas de fado do Porto: a Casa da Mariquinhas.
Pouco depois a vida de Carolina dava novamente outro salto. Alguns amigos que a costumavam ouvir indicaram-na para fazer uma audição para o musical “Amália”, no Teatro Sá da Bandeira. Mais tarde, quando se preparava para se inscrever novamente na faculdade recebe um telefonema de Filipe La Féria para convidá-la a integrar o elenco da Canção de Lisboa, desta vez vestindo a pele de Beatriz Costa. Fez as malas e três dias depois estava a viver em Lisboa. Carolina decidiu seguir aquilo que nesta altura já era um sonho. Tinha 21 anos. Fez de Amália, de Beatriz Costa e viveu inúmeras e marcantes experiências que jamais esquecerá onde o Fado continuava fortemente presente na sua vida, assim como o desejo de o cantar.