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Vendavais: As sombras que ficam

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Está chegar ao fim mais uma década. A segunda do século XXI. Para a Europa, para Portugal e para o Mundo, ficam para trás momentos maus, muito maus e poucos bons. Esta década foi marcada essencialmente por uma crise que se estendeu ao mundo inteiro. Foi um “recado” dos EUA para todo o mundo. A sobrevivência trouxe à tona os males de que enfermam muitas das economias e o agrilhoamento a que ficaram sujeitas nas próximas décadas. É conveniente não esquecer isto. É uma realidade amarga, mas que se não pode descartar. Os vários países europeus, especialmente a França, viveu momentos bárbaros com o terrorismo demonstrado na discoteca Bataclain e o ataque ao periódico Charlie Hebdo. No primeiro, 129 mortos e 350 feridos. No segundo, entre 7 e 9 de Janeiro de 2015, mais dezanove mortos e uma série de feridos. Enfim. A Europa a servir de caixa de ressonância de uma barbárie imensa pertencente a espíritos menos esclarecidos, cujo som atingiu mesmo os que não gostavam de música! A caminho do fim da década, a Inglaterra desafia a união desta Europa atribulada e muito preocupada, não só com o terrorismo, mas com uma economia titubeante e com uma política de extrema-direita a assumir patamares incalculáveis, desafiando a democracia à qual teimam em pertencer. O Brexit levantou ondas de contestação e revolta, mas acabou por vencer depois de mais um ato eleitoral. A Inglaterra vai separar-se de uma União a que nunca quis pertencer “de facto”, mas com a qual contava para resolver alguns problemas, ou talvez não. Até quando? A violência contra a produtora brasileira “Porta dos Fundos” é censurável, como se pode imaginar, mas não basta ficar por aqui. É necessário dizer que o humorismo envolvendo personagens bíblicas é ofensivo para qualquer cristão. E apresentar um sketch onde Jesus aparece como homossexual, envolto numa charada insultuosa e ultrajante é simplesmente execrável. A liberdade de expressão não permite injuriar seja quem for, muito menos quando referenciando figuras bíblicas, se vai atingir quem tem a Fé como intrínseca e algo de seu. O humor também tem limites, tal como a liberdade. A Austrália despede-se da década em chamas. Milhões de hectares ardidos em mais de dois meses. A impotência do homem contra a força da Natureza! Famílias destruídas, casas desaparecidas no turbilhão das chamas imensas. O avanço formidável da ciência não chega para combater as chamas devastadoras. A sombra que fica depois de desaparecerem as árvores que a davam gratuitamente! Em Portugal, também as despedidas não são famosas. A política continua a mesma e o próximo orçamento não traz nada de novo. Críticas, ameaças, promessas e pouco mais. De um lado e do outro, o confronto verifica-se, mas nada adianta. Quem vai sofrer com esta guerra de palavras é o zé povinho, como sempre. E não será o SNS que vai curar as feridas. A realidade deste serviço é bem diferente do que se apregoa no governo. Os hospitais estão a rebentar pelas costuras. Não há médicos. Não há enfermeiros, mas há muitos doentes. Infelizmente. Rui Rio diz que a gestão do Serviço Nacional de Saúde foi catastrófica e possivelmente tem razão. O que o governo sabe arvorar como vitória é a gestão privada de alguns hospitais que tiveram algum lucro, mas quanto aos muitos outros, nada se diz. A luta dentro do PSD, é outra atividade ensombrada pelos próprios concorrentes. Todos querem ser presidentes, todos prometem ser diferentes, todos querem ser primeiros-ministros. Rui Rio vai recandidatar-se, obviamente. Nada teme. Como disse, se perder, sai da política e vai embora. Tem mais que fazer, claro. Em Janeiro logo se saberá. Até lá há sombras no ar. A Elsa e o Fabien, juntaram-se para fazer dançar o país, ao som de uma música inusitada e pouco frequente. De um momento para o outro, o centro e norte do país, viraram uma pista de dança imensa onde todos beberam demasiado. Depois de uma quase seca, o Douro pulou veredas e barreiras e o Mondego caiu para o lado e encharcou tudo na queda descontrolada. Coimbra quase se afundou no meio da ameaça. Foi o resmungar do rio depois da ressaca. Agora vem o governo dizer que algumas das aldeias atingidas, deverão ser mudadas de sítio. Mudadas de sítio? Sempre estiveram lá e nunca se queixaram. Que ameaça é esta? Ainda é pior que a que o próprio rio traz! Em nome de quê e de quem é que se pode dizer a um povo inteiro, “vão ter de siar daqui”? Erros de governos anteriores levaram a esta situação, erros onde o interesse económico esteve sempre em primeiro lugar e agora continua. E assim, vive ensombrada toda esta gente, à espera de uma mudança que não desejam de modo algum. Enfim! No meio de tudo isto, não podemos dizer que fosse improvável, o livro “As cem sombras de Grey”, ser o mais vendido nesta década! Tudo tem a sua razão de ser!

Luís Ferreira