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Vendavais - Na corda bamba

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O equilíbrio é essencial para não se cair, mas para que ele exista é necessário saber manobrar muito bem todos os fatores. Um dos fatores é ter a consciência que a queda é sempre uma possibilidade presente, outro é que cai-se sempre muito depressa. Para baixo todos os santos ajudam!

A Europa vive neste instante, momentos cruciais, já que há eleições em vários países e, numa conjuntura difícil, nunca se sabe como vão reagir os que são chamados a votar e a decidir o futuro. Não podemos pôr de lado as várias hipóteses que se levantam aos decisores políticos, nem pensar que a tarefa lhes é fácil de concretizar.

Da França à Inglaterra, passando por Portugal, todos os partidos estão a entrar em ebulição. Neste fim-de-semana foi a vez da França. E ela tremeu. Mas não tremeu só. Toda a Europa abanou ou pelo menos receou que os resultados fossem favoráveis à extrema-direita e a França fosse abrir uma brecha enorme na coesão europeia. No meio da confusão de candidaturas, as sondagens iniciais davam a possibilidade de ganhar Le Pen e muitos franceses, talvez por um impulso primário subjacente a um incomodativo processo de desgaste socialista, quiseram mostrar que era fácil mudar de rumo. E não nos enganemos. Era mesmo fácil e é fácil. As mudanças existem, são reais e surgem quando menos se espera e no meio de conjunturas difíceis. As pessoas fartam-se de determinadas políticas e dos políticos que as exercem e quando se pensa mais com o coração do que com a cabeça, tudo pode acontecer. Felizmente, à hora de decidir, sempre pode prevalecer o bom senso. Um arrepiar do caminho! Certo é que a França andou na corda bamba algum tempo e muitos se convenceram de que era desta vez que a extrema-direita chegava ao poder. Não foi.

Na Inglaterra, a pressa do referendo levado a votação, possivelmente com o coração a bater em vez de uma cabeça a pensar, levou a um Brexit que parecia ser consensual de início, agora gera uma confusão tremenda e se fosse possível voltar atrás, estou convencido que a maioria votava contra a saída da União Europeia. Arrepiava caminho igualmente. Theresa Mae que era contra a saída, mas que teve de engolir um enorme sapo para poder ficar à frente do partido e do governo, limitou-se a continuar com o programa antes adiantado. Agora pretende que se façam eleições antecipadas para que consiga ter uma maioria confortável para manobrar o Brexit a seu favor. Isso quer dizer, minimizar os estragos da saída perante uma Europa que lhe pode ser hostil essencialmente em matérias económicas e financeiras e também sociais. Não nos podemos esquecer que na Europa estão cerca de quatro milhões de ingleses e que na Inglaterra estão igual número de continentais. Há que negociar termos de permanência e de trânsito de pessoas e bens. Shengan deixa de ser a grande referência e as fronteiras voltam a ter alguma importância. Está pois, a Inglaterra na corda bamba e vai permanecer por mais algum tempo.

Mas se quisermos passar a corda por este país à beira mar plantado, também as coisas não andam mais seguras. A Geringonça continua a dançar e a tremer ao som dos acontecimentos diários. Ora ameaça o PS, ora ataca o PC, ora adianta projetos que obrigam a tomar decisões comprometedoras ao governo de António Costa. Se ele é efetivamente um negociador hábil, ainda tem de sê-lo um pouco mais para não deixar cair o que a custo tem conseguido manter à tona.

A nível partidário, o PS anda à deriva, especialmente no que se refere às eleições autárquicas para a Câmara do Porto. Disse o que não devia, ouviu o que não queria. Moreira não precisa e rejeitou mesmo o apoio do PS. Nem as desculpas de Costa vão valer o equilíbrio, porque esse, já Moreira tinha adiantado: Pizarro vai estar na lista e na Câmara. Mas não. Enganou-se porque Costa não ficou sossegado e pescou Pizarro para encabeçar a lista. Esta é a parte do PS que está garantida. Não há coligação e o PS também não ganha tudo como queria a Vice de Costa. Era só o que faltava! Mas também o PSD não está seguro em coisa nenhuma, embora Passos venha a terreiro dizer que não tem ninguém a expulsá-lo de qualquer coligação, fazendo uma crítica velada à situação do Porto. Enfim! Tudo numa corda bamba.

Luís Ferreira