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São mais que inimigos, são…

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Agarro-me ao sábio bordão moldado e modelado nas alfurjas do tempo a fim de procurar perceber o PSD decorrente do acto eleitoral do dia 11, pois o provérbio: são mais que inimigos, são irmãos, encerra no seu bojo as deploráveis logo nefastas inqualidades que tornam o livro O Homem Sem Qualidades um monumento do património mundial literário. O livro de Musil revê a qual fotógrafo de guerra, Kapra, apresenta pungentes imagens de um império em derrocada, toda a cenografia e actores em cena no dito dia 11 são patentes os borbotos a enxamearem um partido dividido entre o sentido do dever para com a sociedade portuguesa e a profunda ânsia em recuperar faustos do passado de modo a sustentar modos de vida e envernizamento de carreiras, influências, sem esquecer os amortecedores e facilitadores, assim o demonstra Miguel Albuquerque presidente do governo regional da Madeira.

Pode-se argumentar com o facto de Rio ter ficado a escassos trezentos votos de ser eleito à primeira volta, no entanto, apesar da diferença relativamente a Montenegro a fractura existe e só o feiticeiro de Oz da Judy Garland podia sarar a ferida, como feiticeiro envelheceu na pantalha daquele lado nada a fazer, podem os militantes consegui-lo se as paixões e o tacitismo não prevalecessem, porém prevalecem como é evidente e revela a candidatura de Pinto Luz.

As animosidades pessoais tendem a ser voláteis logo interesseiras no domínio da política (pensemos em Álvaro Cunhal), o poeta Cesário Verde obrigou-se a castigar um lisboeta que pretendendo ser engraçado lhe chamou Cesário Azul, a resposta foi: adeus ao troca-tintas!

Os dados estão lançados, António Costa exulta, os nostálgicos do passado refugiam-se em rancores oferecidos pelo Chega, até ao dia 18 batelões de palavras vão ser despejadas nas televisões a esmiuçarem a primeira volta eleitoral. Importa salientar o facto de Rio preferir quebrar a torcer granjeou-lhe a inimizade de nutrido montão de jornalistas e do Expresso, SIC e RTP, aprecio tal teimosia, no entanto recordo lúcidas palavras de um político, «Deus manda-nos sermos bons, não nos manda sermos parvos, por essa razão um rei francês disse que Paris valia bem uma missa. Os estudantes da disciplina de História sabem o nome do lúbrico monarca, se não sabem deviam saber!

O PSD evidenciou as cavadas divisões, o povo não esquece os cortes nos seus rendimentos via Passos Coelho (o busílis da questão), sendo assim e é, os futuros timoneiros do partido laranja ou conseguem entender as vertiginosas acelerações da sociedade em várias vertentes, ou consegue (endireitar o partido ao centro) e colocar autoridade nas estruturas partidárias ou então as setas vão cair em cima de justos e pecadores deixando registo de voo suicida. Esperemos a chegada de pastilhas de lucidez destinadas a todos quantos as quiserem chupar.

Armando Fernandes