Santana

Andou por aí, antes compararam-no a inúmeras figuras bizarras, até ao vidente Zandinga, é um gozado gosto contemplar a sua foto de lenço na cabeça a imitar os piratas perna de pau, olho de vidro e cara de mau, divertimo-nos a vê-lo a estender os braços sobre os ombros das santanetes, neste tropel de lembranças, a atrapalharem-se umas sobre as outras, é o caso da pala, o seu período de empresário de comunicação social, de dirigente desportivo do Sporting, de voltas e reviravoltas, de avanços e de recuos, de amuos e gargalhadas sonoras. Enfim…cesso o aborrecimento das rememorações sobre Pedro Santana Lopes, o qual obrigou Jorge Sampaio a retirar-lhe o brinquedo da governação, dado o desgoverno a grassar a toda a hora e momento. As comparações são odiosas, por isso mesmo limito-me a vincar o recente vendaval a fazer voar cabelos e cabeleiras no Estádio José Alvalade.

Porque trago Santana à baila nesta altura? Porque concedeu uma entrevista que é a antítese da sua recente campanha destinada a convencer os militantes do PSD a entregar-lhe a presidência do Partido. Pois nessa entrevista esquece a paixão partidária, esquece tudo quanto disse acerca da sua fidelidade ao partido, renega a militância e bem pior, coloca em causa todos quantos de boa-fé, seduzidos ante os seus apelos, lhe deram gasalho e o voto.

O Senhor Lopes gastou o lápis registador dos compromissos, usou a borracha apagando as promessas de democrático acatamento dos resultados eleitorais, fosquinhou a lista do Conselho Nacional, logo a abandonou e anuncia a possibilidade de criar um novo partido. E os militantes seus fiadores por esse Portugal fora? Esses militantes sérios, honrados, prestigiados, sem mácula no seu histórico viver no PSD ficarão associados a esta personalidade inconstante, dona de um ego tão alto como os Himalaias, sem remorso e pena devido aos prejuízos causado a essas mulheres e homens.

Pessoalmente, não me causou surpresa esta atitude de Santana, pela palavra falada e escrita desde há exemplifico a sua anima volúvel, a sua moleza a cumprimentar as pessoas (por experiência própria), o seu constante cirandar rebuscado no desejo (conseguido) de ser uma prima-dona nas óperas bufas no teatro político.

Criar um Partido de âmbito nacional de maneira a conseguir um razoável grupo parlamentar obriga a esforços repassados de suor, alguns milhões de euros, primacialmente uma figura aglutinadora de milhares de militantes empenhados, dispostos a sacrifícios de todo o género. Ora, Santana escavacou o prestígio que ainda detinha, militantes crédulos e desprendidos de interesses desertaram, os Bancos estão a cortar créditos a partidos e apêndices putativos. Em face dos pressupostos acima referidos não acredito no êxito da empreitada santanista, pode tentar o populismo bacoco, rasteiro e o populismo envernizado tão do agrado das demagogas e demagagos a descansarem de nada terem realizado de qualidade nas pastelarias lisboetas e portuenses, só que a Dra. Cristas já assentou arraiais nessas paragens e nas feiras imitando o célebre Paulo dos bonés hoje convertido em estrénuo zig-zag lobista ou facilitador.

Todos apreciámos e acompanhámos a candidatura de Santana a líder do PSD, na contagem dos votos os resultados falam por si, no entanto, faça o leitor o exercício de pensar no que teria acontecido caso o homem do concerto para violino de Chopin tivesse ganho. Sim, se ele tem ganho?

Aqueles rapazes do grupo parlamentar teriam rejubilado, poucos apoiam Rui Rio, tais Boys dos lugares apetecíveis apesar de andarem de monco caído não perdem oportunidade para aprofundarem o fosso entre eles e o antigo autarca do Porto. Porquê? Porque se funcionar a boa lógica da confiança política vão todos dar uma volta ao bilhar grande antes de irem trabalhar. A vitória de Rio evitou a balcanização do Partido, evitou a possível implosão, deitemos a cabeça de fora de Portugal. Basta na Itália, na França, na Espanha e por aí fora.

Nós não ficamos incólumes aos ventos estrangeiros, chegam mais tarde produzindo os mesmos estragos. Pensem nisso, caríssimos leitores.

Armando Fernandes