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Os primeiros dias

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Boas tardes, meus caros. Nestas alturas em que só se fala do mesmo e em que pouco mais há a saber se não cumprir o que tem de ser feito, deixo-vos uma letra alternativa para uma música famigerada. Para serem ainda mais atingidos pelo vírus do desespero, não vale a pena dedicar-se tanto tempo este tema. Já basta ter de vivê-lo. Muita notícia, nenhuma novidade. Tirar daí a atenção e esperar que o tempo passe focando-vos noutra coisa qualquer. Serviço público neste momento, mais do que bater na mesma dolorosa tecla, é manter as pessoas o mais distraídas possível. Fácil falar, bem sei, quando todos estamos no mesmo barco sem dele podermos sair, mas façamos um esforço. Mais um, de esforço em esforço, todos os eternos dias até ao final da tempestade. Uma globalização vestida de pandemia que atingiu todos os cantos, mesmo os mais improváveis. Quem diria que uma batalha que nos pede para ficar no sofá nos faria ir tanto ao fundo de nós. Ir e voltar umas quantas vezes. Paradoxos de um mundo actual onde todos os dias são primeiros em emoções e todos se querem o último de uma vez por todas. Aí vai, para distrair, adaptado de Sérgio Godinho e para se ler ao ritmo da música:

A principio é simples, chega de mansinho, É coisa de terceiro, não do nosso mundinho,

Está-se bem nas ruas e no burburinho, Quem sofre ao longe não é o nosso vizinho.

E onde não há história, uma ideia esquecida

Hoje é mais um dia por entre a nossa vida

Hoje é mais um dia por entre a nossa vida

Pouco a pouco fica o olhar mais profundo, Algo se aproxima a cada novo segundo

Não há de ser nada aqui neste mundo, Sai mais um whatsapp como pano de fundo.

E assim se leva a história meio entretida

Hoje é mais um dia por entre a nossa vida

Hoje é mais um dia por entre a nossa vida.

E é então que o pavio se torna mais estreito, Finalmente anunciam um caso insuspeito

Será que não é nada ou leva tudo a eito?, De qualquer das formas não há plano perfeito.

E nesta história meio mal entendida

Hoje é quase o primeiro dia do resto da nossa vida

Hoje é quase o primeiro dia do resto da nossa vida.

Depois surge o respeito por menor que seja, Olhem que isto é sério e a todos bafeja,

Não, para mim é só nos velhos, salvo seja, Não vou deixar de ir beber a minha cerveja.

E a autoridade igualmente perdida

Hoje é quase o primeiro dia do resto da nossa vida

Hoje é quase o primeiro dia do resto da nossa vida.

Depois tomam-se medidas de fio a pavio, Perdem-se muitas vidas na corrente do rio,

Emoções dançam, constante rodopio, Engole-se o medo até c'um copo vazio

E a gente lembra a canção conhecida

Hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida

Hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida

E entretanto o tempo finge que não passa, O que parecia fácil o coração nos trespassa

Nasce um novo dia e ninguém se abraça, Todo o mundo gira mas só dentro de casa

E puxamos à memória uma prece sentida

Que hoje seja o último dia desta pausa na nossa vida

Que hoje seja o último dia desta pausa na nossa vida

Pedimos ao incerto que nos devolva o futuro, O mundo não seja outra vez um muro

Ao medo dizemos-lhe que já estamos por tudo, À vida que apenas venha em estado puro

E puxamos à memória uma prece sentida,

Que hoje seja o último dia desta pausa na nossa vida

Que hoje seja o último dia desta pausa na nossa vida.

 

Porque hoje são os primeiros dias do resto da nossa vida. Foi para o que me deu pessoal. Aliás, a própria letra original assenta perfeitamente a esta situação. Neste lado continuamos à espera que as instituições de ensino abram, há uma ou outra escola aberta “à experiência” para ver se corre bem e se se pode voltar ao normal, mas é complicado. Vê-se que o pessoal ainda não circula em força, meio por desconfiança e meio por que as pessoas levaram um grande rombo nas carteiras. Vê-se muito restaurante e muita loja às moscas. Aqui as famílias não dependem tanto dos serviços como nós, mas dos negócios porque tudo se compra e se vende num mercado enorme que dá para quase todos. Vamos ver. Mantenham-se ocupados e o mais distantes de tudo isto que conseguirem. Um abraço muito apertado para todo o Nordeste e em especial para a aldeia de Avelanoso!

Manuel João Pires