Sarna – Prevenir e controlar

A sarna, conhecida também como escabiose, é uma doença infeciosa, extremamente contagiosa, causada pelo parasita humano obrigatório (só vive se tiver hospedeiro) Sarcoptes scabiei var. hominis. Existem 4 variantes clínicas desta doença provocadas pelo mesmo ácaro, sendo a sarna clássica a mais comum. A infestação por este parasita ocorre após o contacto de pele com pele (que pode ser através da via sexual) ou, menos frequentemente, através do contacto com objetos contaminados, como por exemplo roupa. A infestação dá-se através dos ácaros que se depositam na epiderme humana (camada mais superficial da nossa pele). É nesse local que o parasita fêmea põe ovos, os quais eclodem e se tornam adultos em 10 a 15 dias. O ciclo de vida deste ácaro dura 4 a 6 semanas, mas fora do hospedeiro humano morre após 24 a 72 horas.

Epidemiologia

Estima-se que em todo o mundo existam aproximadamente 200 milhões de casos de sarna em qualquer momento. Nos países desenvolvidos, a doença surge habitualmente de forma ocasional ou através de surtos em instituições, como hospitais, lares, prisões e creches (aglomerados populacionais).

Baixas defesas do organismo, pobreza e más condições de higiene também favorecem o aparecimento da doença. E no Inverno o risco de contrair a doença é superior, uma vez que o ácaro sobrevive melhor em temperaturas mais baixas e em ambientes mais húmidos.

 

Clínica

Os sinais da sarna surgem geralmente 3 a 6 semanas após uma primeira infestação ou cerca de 1 a 3 dias no caso de pessoas que já tiveram a doença. Entre os principais sinais e sintomas encontram-se comichão intensa, que agrava normalmente durante a noite, uma espécie de “pintas”/”bolhas” pequenas e avermelhadas (frequentemente com pequenas feridas e crostas de sangue associadas) em zonas como a região à volta do umbigo, cintura, zona genital, seios, nádegas, axilas, dedos e espaços entre os dedos, punhos e zonas atrás dos joelhos ou à frente do cotovelo.

Nos homens pode existir atingimento do pénis e nas mulheres são relativamente frequentes lesões na aréola mamária. Por norma, a planta dos pés, a palma das mãos, as costas e a cabeça são zonas poupadas. No caso das crianças, sobretudo as de menor idade, apesar de as tais “pintas/bolhas” pequenas e avermelhadas poderem existir em grande número, as crianças podem não ter comichão e ter apenas sintomas como falta de apetite, irritabilidade ou não aumentarem de peso como seria suposto. Também as zonas atingidas no caso das crianças poderão ser diferentes das dos adultos, tais como cabeça, palma da mão, costas e planta dos pés.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da sarna é efetuado de acordo com a observação de determinadas características típicas da doença: a já referida comichão intensa que agrava à noite, as lesões típicas e a sua distribuição pelo corpo. Também a ocorrência de lesões parecidas em pessoas próximas, por exemplo, quem vive connosco, deve fazer-nos pensar na possibilidade de ser sarna.

É muito importante que o diagnóstico seja sempre feito por um médico, que saberá como tratar a sua doença.

 

Tratamento

O tratamento de referência em Portugal é o benzoato de benzilo a 28%, comercializado sob o nome de acarilbial. Este medicamento deve ser aplicado 3 vezes na primeira fase, em 3 dias consecutivos. Cada aplicação deve ser feita 24 horas depois da anterior. Este processo deve ser repetido 7 a 10 dias depois, novamente em 3 dias consecutivos.

Além disso, todas as roupas que estiveram em contacto com as pessoas nos últimos 3 dias devem ser colocadas para lavar a temperaturas superiores a 60ºC.

No caso de alguém ter a doença é muito importante que o tratamento seja feito por essa pessoa e também por todas as pessoas que habitam na mesma casa, dado que podemos já ter a doença mas só a manifestamos várias semanas depois. Uma pessoa que já tenha tido sarna, pode voltar a ter, não existe imunidade para a doença.

 

Dr. Filipe Vaz

Médico Interno de Formação Específica em Saúde Pública

ULS Nordeste